Morreu Miguel Gaspar, diretor adjunto do 'Público'

Miguel Gaspar, diretor adjunto do 'Público' e ex-editor executivo do 'DN', morreu hoje, vítima de cancro no pâncreas, aos 54 anos. O jornalista encontrava-se hospitalizado há já algumas semanas em Lisboa.O velório realiza-se hoje a partir das 16.00 na igreja do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. A missa de corpo presente é amanhã às 16.30, seguindo o funeral para o cemitério de Barcarena.

Miguel Gaspar entrou no mundo do jornalismo em 1986, tendo passado por media como o 'Correio da Manhã', TSF, 'Diário de Notícias' e 'Público'. Neste, o jornalista trabalhava desde 2007 e era diretor adjunto da publicação.

"O Miguel faz-nos muita falta. Para pensar, para planear e para discutir as coisas pequenas e as coisas grandes do mundo", vinca a diretora do jornal 'Público'. Bárbara Reis faz, contudo, questão de salientar o lado humano do jornalista: "Para além de tudo isso, para nos fazer rir, como ninguém, quando, com uma única frase, virava o mundo ao contrário."

"O Miguel é daqueles jornalistas que é um poço de cultura, capaz de escrever com qualidade sobre o futuro dos media, sobre a América de George W. Bush ou sobre o Festival de Cinema de Cannes", lembra Leonídio Paulo Ferreira, que foi editor executivo adjunto quando o chefe de redação do DN era Miguel Gaspar. O atual subdiretor do DN acrescenta: "O bom humor era marca do Miguel Gaspar".

"O Miguel era um homem muito inteligente, culto, é uma das minhas referências. Eu tenho 25 anos de carreira. E umas cinco ou seis referências. Era uma pessoa muito inteligente, muito organizada, muito desprendida das coisas práticas da vida. Valorizava muito a lealdade e a amizade", recorda Nuno Azinheira, atual diretor da 'Notícias TV', revista que é publicada com o DN.

"Para mim, enquanto amigo, é uma perda irreparável", sublinha, contando que foi durante uma viagem ao Rio de Janeiro, em 2004, que Miguel Gaspar o convenceu a trocar o 'Correio da Manhã' pelo DN."Eu disse que só trocaria um lugar de editor por um de editor adjunto se fosse para trabalhar com alguém que eu admirasse muito. E assim foi".

Eurico de Barros, ex-editor de Artes e atualmente grande repórter do DN, refere que "era um gosto falar e trabalhar com o Miguel", o qual conheceu quando chegou ao diário da Av. da Liberdade em 1992. "Ele era editor da Sociedade na altura. Mas ele, quer fosse como editor, quer fosse como jornalista, era a mesma pessoa". Eurico de Barros destaca que Miguel Gaspar "era um jornalista fabuloso" e que "a sua formação em filosofia permitia-lhe falar sobre tudo, desde música, a política internacional, passando pela Fórmula 1. Escrevia muito bem e tinha grande capacidade de análise". O jornalista do DN sublinha: "Aprendi muito com ele, ensinou-me muito, ficámos amigos".

Miguel Gaspar foi crítico de televisão durante dez anos, incluindo no DN, 'O Independente' e na Rádio Renascença. Em 2005 foi distinguido com o prémio de Crítica de Televisão da Casa da Imprensa.

No 'Diário de Notícias', Miguel Gaspar foi editor da Sociedade, dos Media, editor executivo e diretor interino. O velório do jornalista, que deixa dois filhos, realiza-se hoje a partir das 16.00 na igreja do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. A missa de corpo presente tem lugar amanhã, às 16h30. O funeral seguirá para o cemitério de Barcarena.

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