Moniz critica plano de reestruturação da RTP

O antigo director de Programas e de Informação da RTP, José Eduardo Moniz, considerou hoje "imobilista" a visão do serviço público reflectida no plano de sustentabilidade económica e financeira da empresa apresentado na quarta-feira.

"Pelo que li, fica tudo a meio caminho, para agradar a gregos e a troianos (...) Perdeu-se uma oportunidade para resolver uma questão que se arrasta há décadas", disse Eduardo Moniz à Lusa em Pequim.

Realçando que falava "em nome pessoal e não da Ongoing Media", empresa de que é vice-presidente, Moniz afirmou que o referido plano "não resolve o problema do serviço público nem a crise com que os privados se debatem".

"O negócio da televisão já não é o que era (...) A evolução da televisão em todo o mundo, provocada pelas novas tecnologias e os novos posicionamentos dos consumidores, não está espelhada neste plano", disse.

"Mas goste-se ou não do plano, a verdade é que o governo cumpriu uma promessa eleitoral", acrescentou.

Eduardo Moniz, que já foi também director-geral da TVI, defende a existência de um serviço público de televisão, mas sustenta que esse serviço "pode ser assegurado por operadores privados, com menos despesa para o Estado e mais segurança para a iniciativa privada".

O plano, aprovado pelo governo e apresentado pelo presidente da RTP, Guilherme Costa, prevê a venda de um dos dois canais da estação e a rescisão de contratos com 300 dos seus trabalhadores.

Sobre a possibilidade de o único canal público continuar a ter publicidade, Eduardo Moniz comentou que o mercado "está cada vez mais pequeno" e, por isso, "não custa adivinhar que alguém vai ficar pelo caminho".

José Eduardo Moniz e o responsável da Ongoing para a Ásia, Fernando Maia Cerqueira, encontram-se na China no âmbito dos contactos que aquele grupo iniciou há dois anos com empresas e instituições chinesas do sector.

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