'Freestyle' mostra cultura urbana e 'graffiti' ilegais

A publicação dá a conhecer expressões artísticas como 'hip hop', 'MC', 'DJ', 'breakdance' e a mais discutível de todas:  os 'graffiti'. Director afirma que pinturas urbanas são uma das atracções turísticas de Lisboa, mas concorda com limpeza no Bairro Alto.

Nasceu esta semana a primeira revista totalmente portuguesa dedicada à cultura urbana, a Freestyle, de onde se destacam várias expressões artísticas como o hip hop, MC, DJ, breakdance e graffiti. E é esta última que provoca maior polémica. É que se pintar em muros autorizados é uma forma de arte aplaudida, fazê-lo em prédios dos centros históricos, em monumentos, em carruagens de comboios e de metro, é ilegal e arrisca-se a multa ou pena de prisão.

E é desta forma que também pensa Martim Borges, director da Freestyle. "Eu já faço graffiti há dez anos, mas faço-os de forma legal", começou por dizer o também fundador da nova revista.

E as imagens de carruagens de comboios da CP com graffiti que aparecem em grande número na Freestyle? "Eu não respondo pelo que os outros fazem. Essa é uma vertente mais crua dos graffiti e que é a que chateia mais as pessoas. Tal como os que são feitos no Bairro Alto, em Lisboa. Acho que nem vale a pena evitar, é algo que vai sempre existir, por mais que a câmara faça limpezas. Se bem que eu acho bem que se limpe. O que lá se passa é demais e dá um aspecto sujo. Mas o Bairro Alto também é conhecido pelos graffiti, é uma das suas imagens de marca, que até já tem fama turisticamente. Até o Elevador da Glória [que faz a ligação entre a Avenida da Liberdade e o Bairro Alto] é visitado por turistas estrangeiros para verem os grafitti. Tornou-se um símbolo da cidade. O que eu não acho bem é fazer-se assinaturas em monumentos", disse Martim Borges.

O director da revista fez ainda uma ressalva: "Ao contrário do que se pensa, os graffiti não são sinal de violência. O crime que existe no Bairro Alto, como a venda de drogas, não tem a ver com as pessoas que fazem graffiti".

Quem também não está contra esta forma de arte é o próprio presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que a propósito da limpeza no Bairro Alto falou sobre o assunto. "Não sou completamente contra os graffiti, mas penso que devem ser enquadrados", disse o autarca, referindo ainda que em breve serão criados "espaços próprios para que os artistas possam dar azo à imaginação".

Quem não é fã de graffiti, é a Fertagus e a CP, sobretudo se feitos nas suas carruagens. Segundo Paulo Cerqueira, técnico superior da Fertagus, "o custo médio de limpeza de graffiti nos comboios varia entre 15 a 20 euros por metro quadrado". Já a CP, diz estar atenta ao problema e que a empresa está a reforçar a vigilância".

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