Balsemão vai meter os papéis para a reforma

O 'chairman' do grupo Impresa anunciou, num comunicado interno, que, com "a bonita idade" de 75 anos, após 50 de descontos, vai pedir a reforma à Segurança Social. Balsemão vai continuar a exercer as suas funções na empresa.

No dia em que a Impresa apresentou as suas contas relativas a 2012, o 'chairman' do grupo decidiu anunciar, num comunicado interno a que o DN teve acesso, que vai pedir a reforma.

"Aproveito para vos comunicar que, atingida, há meses, a bonita idade de 75 anos decidi pedir pela primeira vez a minha reforma à Segurança Social (digo "primeira vez" porque já o poderia ter feito, não só por ter exercido cargos públicos, como o de primeiro-ministro ou de deputado, mas também porque teria podido pedir a reforma há 10 anos, quando completei 65, mas decidi optar por este momento, depois de 50 anos a fazer descontos)", escreveu Francisco Pinto Balsemão.

O 'chairman' do grupo que detém a SIC ou o Expresso garante, apesar disso, que continuará a trabalhar.

"Não pensem, no entanto, que deixarei de exercer, diariamente e com a mesma paixão, as minhas funções de Presidente do Grupo Impresa. Continuarei a ver-vos e a estar convosco nos meus gabinetes, nas salas de reuniões e nos locais de convívio (bem como nos corredores, onde sempre gostei de praticar o management by wandering) de Sales e de Carnaxide, e também em Matosinhos. Continuarei aqui para vos elogiar e, quando necessário, para vos criticar, sem abdicar de, só quando tal se justifique, ter a última palavra", afirmou neste comunicado, em que remata: "Como sempre, podem contar comigo!"

Neste comunicado, Francisco Balsemão dá conta das conclusões das contas de 2012.

O resultado líquido da Impresa, sem ajustamentos, atingiu os 4,9 milhões de euros negativos em 2012, uma melhoria face aos prejuízos de 35,1 milhões de euros de 2011, divulgou hoje o grupo de media.

"Quero por isso dar os parabéns a todos os trabalhadores da Impresa. Cada um, à sua maneira, tem contribuído para este sucesso, que é de todos", lê-se na mensagem, em que o presidente do grupo também saúda Pedro Norton, CEO desde 1 de outubro de 2012, e a sua equipa "pelo excelente trabalho que tem desenvolvido".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.