Diário de Notícias completa hoje 145 anos

O Diário de Notícias completa esta terça-feira 145 anos de existência, o que o torna num dos jornais generalistas mais antigos do país.

Fundado no dia 29 de Dezembro de 1864 por Eduardo Coelho e Tomás Quintino Antunes, o Diário de Notícias nasceu na Rua dos Calafates (que hoje se chama Rua do Diário de Notícias), no Bairro Alto, e já teve ao longo da sua história vários colaboradores que marcaram diferença na escrita, entre os quais Eça de Queirós e José Saramago, este último como director-adjunto do jornal em 1975.

O Diário de Notícias, que custava dez réis (um preço baixo para a época, em que os jornais custavam 30/60 réis), propunha-se publicar notícias de todos os dias, de todos os países e de todas as especialidades.

Foi o primeiro jornal de venda ambulante nas ruas e ao fim de seis meses de publicação tinha cerca de cem ardinas e um volume de receitas em publicidade considerável, já que oferecia espaço para os anunciantes a um valor muito abaixo da média cobrada pelas publicações da época.

Situado no n.º 266 da Avenida da Liberdade, em Lisboa, o edifício do Diário de Notícias, projectado por Pardal Monteiro e com a colaboração famosa de Almada Negreiros, autor dos frescos do espaço que hoje alberga a galeria do Diário de Notícias, foi considerado "imóvel de interesse público" e distinguido com o prémio Valmor em 1940.

Na primeira página do DN do dia da inauguração do edifício, 25 de Abril de 1940, diz-se que este foi “um acontecimento marcante na vida nacional”, onde estiveram presentes o Chefe de Estado, General Óscar Carmona, “cinco membros do Governo” e “muitas das individualidades mais representativas do nosso meio”. Até Amália Rodrigues cantou na galeria do Diário de Notícias.

A sede histórica do Diário de Notícias (na foto, actual) foi o primeiro edifício construído em Portugal de propósito para albergar um jornal, com espaços pensados para a redacção e para o sistema de impressão do jornal. Duas rotativas, uma Hoe & Cabtree (1940-1981) e uma Koenig (1957-1990) imprimiram o Diário de Notícias até a tecnologia ditar novos rumos.

Em 1990, na despedida da rotativa alemã Koenig da sede do DN, Henrique Casaca, uma das pessoas que trabalhavam na impressão do jornal, contava que saía da cave do edifício negro por causa da pulverização da tinta (o que já não acontece nos modernos sistemas de impressão) e que era possível acender uma lâmpada de 25 watts encostando-a a um rolo de papel na bobina da rotativa, tal era a electricidade estática contida no sistema.

No dia do seu 131.º aniversário, em 1995, e sob alçada de Mário Bettencourt Resendes, antigo director do jornal e actual provedor dos leitores, o DN lançou a sua primeira página na Internet, que funcionava na morada http://www.dn.pt:8080.

Com uma tiragem média de mais de 43 mil exemplares, números referentes a Novembro, o Diário de Notícias teve também vários proprietários. Actualmente pertence à Global Notícias, uma empresa do Grupo Controlinveste, e tem como director João Marcelino.

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