Decisão de acabar com programa foi um ato ilícito

O provedor do ouvinte da Antena 1, Mário Figueiredo, admitiu hoje que a decisão de acabar com a rubrica em que participava o cronista Pedro Rosa Mendes resultou de um ato "ilícito, prepotente e arrogante".

"Considero, principalmente depois da audição de ontem [terça-feira], que tudo indica que houve um ato prepotente, arrogante, por parte de quem tinha decisão de acabar com o programa. Se isto configura um ato ilícito, estou convencido que sim", afirmou Mário Figueiredo na comissão parlamentar para a Ética, Cidadania e Comunicação, no Parlamento.

O provedor referia-se à audição do ex-diretor adjunto de informação da RDP, Ricardo Alexandre, o qual afirmou que o ex-diretor de informação da estação pública lhe disse que o programa "Este Tempo" era suspenso por causa da crónica de Pedro Rosa Mendes sobre Angola.

Na crónica em causa, o jornalista Pedro Rosa Mendes lançou fortes críticas ao programa da RTP 1 "Reencontro", emitido no dia 16 de janeiro a partir de Luanda, e que contou com a presença, entre outros, do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, além de empresários de grandes empresas portuguesas.

O provedor do ouvinte apontou "várias contradições, meias verdades e insinuações" nos depoimentos feitos à comissão de Ética, que contribuem para a suspeição sobre os motivos da suspensão do programa, mas acrescentou estar convicto de que não houve intervenção da tutela, nem da administração. Esta foi a sexta audição que a Comissão realizou sobre o assunto.

Mário Figueiredo adiantou, no entanto, que o fim do programa foi feito de "forma atabalhoada" e que o facto de se tratar de uma estação de serviço público obrigaria a outra atitude.

"A direção tem toda a legitimidade para tomar decisões, mas o tempo e a forma como o faz obrigaria a outra ética, mais adequada à função do serviço público. Houve uma questão de 'timing'", disse, acrescentando que "nada indiciava que os contratos dos cronistas não seriam renovados"..

O provedor disse ainda aos deputados que, quando começou a receber queixas dos ouvintes, sobre o fim do programa e a alegada censura aos cronistas procurou esclarecimentos "junto de quem pensava que os podia dar", dirigindo-se ao diretor-geral, Luís Marinho que, inicialmente se disponibilizou para dar as respostas necessárias, mas pouco depois resolveu delegá-las no diretor de informação, João Barreiros.

Mário Figueiredo voltou a solicitar mais informações ao diretor-geral depois de Rosa Mendes dizer que o programa acabou em consequência da sua crónica, mas recebeu apenas como resposta: "Senhor provedor, esse senhor (Rosa Mendes) é um mentiroso!".

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