Carlos Magno "pressionado" para concluir averiguações

Carlos Magno admitiu hoje que se sente pessoalmente "pressionado" pelo Parlamento para que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) conclua rapidamente o relatório sobre as alegadas pressões do ministro Miguel Relvas sobre uma jornalista do Público.

"Vou dizer-lhes 'on the record' que 'off the record' eu me sinto pressionado pela Assembleia da República (AR). Isto é, não quero que a AR fique muito tempo à espera do relatório da ERC", afirmou o presidente do organismo à margem da audição da jornalista do Público, Maria José Oliveira, realizada hoje na entidade reguladora.

"Não posso dizer que estou pressionado pela AR por eles estarem à espera do relatório da ERC, porque não estou. Mas, pessoalmente, sinto que devo resolver isto o mais depressa possível, para que a AR não esteja à espera", esclareceu Carlos Magno.

A ERC começou hoje as audições, recebendo a jornalista alegadamente ameaçada pelo ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares. Na quinta-feira irá ouvir de manhã a diretora do Público, Bárbara Reis, e à tarde a editora de Política do diário, Leonete Botelho. Na sexta-feira, será ouvida a editora substituta do Público Online e estão ainda por agendar as audições dos membros do conselho de redação do jornal.

"Vamos fazer isto com todo o tempo que precisarmos de ter para o resolver, mas queremos resolver isto o mais depressa possível", sublinhou Magno.

O presidente da ERC rejeita, no entanto, comprometer-se com "prazos". Numa reação ao deputado centrista Raul de Almeida, que esta manhã no Parlamento disse que a ERC deverá concluir as averiguações até ao final da semana, Magno admitiu que fez "mal as contas".

"Quando isto aconteceu disse que gostava de ter isto resolvido até ao fim do mês. Mas fiz mal as contas, digamos assim, porque havia dois domingos. (...) Não me quero comprometer com prazos, não me posso comprometer com prazos, depende das audições. Mas vamos surpreender pela rapidez", assegurou.

Consequência da prioridade dada ao caso, o presidente da ERC já admite não se deslocar a uma reunião da EPRA (European Platform of Regulatory Authorities), a entidade que agrega os reguladores europeus, na Eslovénia, entre 30 de maio e 1 de junho.

"Talvez já não vá ao estrangeiro, não sei se vou. Tenho uma viagem agendada e neste momento estou a ver se a cancelo. Não vou, provavelmente", disse o presidente da ERC, explicando que a única hipótese de contrariar esta eventualidade será a conclusão do conjunto das audições que o conselho regulador entender realizar até terça-feira da próxima semana. "Se não conseguirmos, fico", disse.

O caso que envolve o nome do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, com a tutela da comunicação social, surgiu na sexta-feira, dia 18 de maio, após ter sido divulgado uma nota interna do conselho de redação do jornal Público.

Nesta nota, aquele órgão dizia que o ministro dos Assuntos Parlamentares ameaçou promover um 'blackout' de todos os ministros ao jornal diário e divulgar, na Internet, dados da vida privada de uma jornalista, se fosse publicada uma notícia sobre o caso das secretas.

O gabinete do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, através de um comunicado, considerou essas acusações de "supostas ameaças ou pressões" sobre o Público "totalmente destituídas de fundamento, repudiando-as categoricamente".

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