Azeredo Lopes: Só quem "não percebe de televisão" pode propor fim da públicidade na RTP

O ex-presidente da ERC considerou hoje que a proposta de eliminação da publicidade na RTP "só se percebe em alguém que não percebe de televisão" e constitui um "piscar de olho namoradeiro aos [operadores] privados de extraordinária ligeireza".

Em declarações à Lusa a propósito das conclusões do grupo de trabalho sobre o serviço público de comunicação social, Azeredo Lopes afirmou que "isto só se percebe em alguém que não percebe de televisão. A publicidade, ao contrário do que se pensa, é hoje tida como um conteúdo, que é dos mais vistos pelos espectadores", e faz parte da "lógica integrada de um serviço de programação".

Mesmo desse ponto de vista, acrescentou o presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social até à semana passada, "ter ou não publicidade não é inocente do ponto de vista das audiências, uma vez que estamos preparados culturalmente para encararmos um serviço de programas de televisão generalista como algo que inclui [publicidade]".

Finalmente, "dando de barato esta demonstração de ignorância do que é programação e do que é a lógica integrada de um serviço de programas de televisão", José Azeredo Lopes defendeu que, sob o aspeto económico, a decisão é também errada.

"Parece-me que o actual modelo de publicidade contida a seis minutos na RTP e a apenas publicidade institucional, quando muito, na RTP 2, é não só amplamente compatível com a sobrevivência do mercado como, por outro lado, garante receitas ao Estado numa altura em que tanto se ouviu falar dos gastos na RTP e sabemos que, no modelo vigente, essas receitas de publicidade têm que ser alocadas exclusivamente ao abate da dívida ou passivo", defendeu.

Por outro lado, considerou o antigo regulador, "este tipo de propostas" assumem também com "extraordinária ligeireza" um "piscar de olho namoradeiro aos [operadores] privados".

O trupo de trabalho encarregue de definir o conceito de serviço público de comunicação social entregou na segunda-feira ao ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, que tutela o setor, um documento em que não haja qualquer tipo de publicidade neste serviço.

O grupo de trabalho foi criado em agosto pelo Governo, através de um despacho que estabelecia um prazo de 60 dias para apresentação de um relatório sobre a definição de serviço público de comunicação social.

Coordenado pelo economista João Duque, o grupo de trabalho integrou António Ribeiro Cristóvão, Eduardo Cintra Torres, José Manuel Fernandes, Manuel José Damásio, Manuel Villaverde Cabral e Manuela Franco.

Fizeram ainda parte deste grupo Francisco Sarsfield Cabral, João do Amaral e Felisbela Lopes, que se demitiram, os dois primeiros em outubro e a terceira a 9 de Novembro.

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