Media contra publicação total de telegramas diplomáticos

Os jornais internacionais que colaboraram nos últimos meses com o WikiLeaks na divulgação pública de telegramas diplomáticos norte-americanos classificados condenaram hoje a decisão do portal de publicar a totalidade dos documentos.

O portal, fundado por Julian Assange, anunciou hoje, na rede social Twitter, ter publicado na sua página na Internet um total de 251.287 telegramas diplomáticos norte-americanos classificados. Os documentos poderão ser agora consultados de forma livre e sem recurso a uma senha, não sendo ainda muito claro se os documentos estão a ser divulgados na íntegra. Num comunicado conjunto, os jornais The Guardian (Reino Unido), The New York Times (Estados Unidos), Der Spiegel (Alemanha) e El Pais (Espanha) "lamentaram a decisão do WikiLeaks de publicar telegramas não editados, que podem colocar as respectivas fontes em perigo".

Durante vários meses, estes títulos internacionais colaboraram com o portal de Assange na divulgação de documentos diplomáticos norte-americanos classificados. "As nossas ligações com o WikiLeaks eram desenvolvidas sob a premissa que só publicaríamos telegramas sujeitos a uma edição conjunta e integral", referiu a mesma nota. "Vamos continuar a defender os projectos de colaboração anteriores. Não podemos defender a publicação desnecessária de bases de dados completas. Mais do que isso, condenamos de forma conjunta" a publicação, acrescentaram os quatro jornais, na mesma nota informativa.

Na quinta-feira, Assange acusou, durante uma intervenção num evento na cidade brasileira de São Paulo, estes jornais, particularmente o britânico The Guardian e o norte-americano The New York Times, de terem omitido informações que constavam dos telegramas. De acordo com o fundador do WikiLeaks, que participou no evento através de videoconferência, os jornais violaram os acordos de publicação estabelecidos com o portal e estão comprometidos com os governos de seus países.

"As organizações de media que orgulhosamente dizem ao público que perseguem a verdade são mentirosas", vincou Assange, que continua em prisão domiciliária em Londres.

Em relação ao The Guardian, Assange explicou que o WikiLeaks disponibilizou documentos que mostravam uma infiltração do crime organizado no Governo da Bulgária, listando empresas que faziam parte do esquema. De acordo com Assange, o diário inglês publicou apenas parte da história e omitiu os nomes dos envolvidos. Já o New York Times, segundo Assange, deixou de publicar informações sobre crimes de guerra cometidos pelo exército norte-americano que mereceram capa no semanário alemão Der Spiegel.

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