Repórteres Sem Fronteiras denunciam "declínio drástico" na liberdade de imprensa mundial

No seu relatório anual, a organização responsabiliza os grupos extremistas, como o Estado Islâmico e Boko Haram, pela deterioração da liberdade de imprensa.

A liberdade de imprensa sofreu um "declínio drástico" em todo o mundo no ano passado, em parte devido a grupos extremistas como o Estado Islâmico e o Boko Haram, afirmam hoje os Repórteres Sem Fronteiras no seu relatório anual.

"Houve uma deterioração geral ligada a diferentes fatores, com guerras de informação, e ações de grupos não-estatais que agem como déspotas", afirmou à AFP o secretário-geral da organização, Christophe Deloire.

No Índice da Liberdade de Imprensa de 2015, os Repórteres Sem Fronteiras referem que se registaram 3.719 violações à liberdade de informação em 180 países em 2014 - mais 8% que no ano anterior.

Todos os territórios envolvidos em conflitos, do Médio Oriente à Ucrânia, promoveram uma "assustadora guerra de informação", em que os jornalistas foram identificados como alvos a abater, capturar ou pressionar.

O Estado Islâmico, ativo na Síria e no Iraque, o Boko Haram, no norte da Nigéria e Camarões, e organizações criminosas em Itália e na América Latina usaram "medo e represálias para silenciar jornalistas e 'bloggers' que se atrevem a investigar ou se recusam a agir como 'pé de microfone'", diz o relatório.

"A criminalização da blasfémia coloca em perigo a liberdade de informação em metade dos países do mundo", afirma também o relatório, alertando para o facto de extremistas religiosos perseguirem, por vezes, jornalistas ou 'bloggers' que acreditam não respeitarem suficientemente o seu deus ou profeta.