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Revista de Imprensa Internacional

Republicanos usam Bin Laden para justificar tortura

Os interrogatórios a prisioneiros de Guantánamo tiveram apenas um pequeno papel na identificação do mensageiro que levou à descoberta do esconderijo de Osama bin Laden. O uso recorrente de tortura em alguns detidos nada revelou, mas a operação contra o líder da Al-Qaeda já está a ser aproveitada por responsáveis da anterior presidência dos EUA para justificar o uso de técnicas de interrogatório brutais.

Mundo

O terrorismo global continua vivo

Morreu Ussama ben Laden mas, apesar da dimensão histórica, justiceira e simbólica deste importante acontecimento, o terrorismo global continua vivo. Trata-se de um grande êxito dos EUA, do Presidente Obama e dos Navy Seal, nesta "guerra contra o terror" iniciada por George W. Bush e incompetentemente por ele desenvolvida (a desastrosa intervenção no Iraque é claro exemplo disto). Obama acaba por ser feliz e a sua reeleição ganha fôlego, mas nada teria sido possível sem a colaboração dos todo-poderosos Serviços Secretos paquistaneses (ISI) - e também do Exército paquistanês -, um verdadeiro "estado" dentro do Estado. Importa saber porque é que a situação mudou, desde uma posição ambígua dos ISI que diziam controlar a Al-Qaeda, mas nada faziam para acabar com ela, até esta autorização para liquidar o seu líder. A morte de Ben Laden não põe fim à Al-Qaeda mas dá um claro sinal de que a acção desta organização terrorista e dos seus aliados no Paquistão tem limites. Um conjunto de atentados levados a cabo, sobretudo no último ano, pelos aliados da Al-Qaeda no Paquistão, contra mesquitas e muçulmanos das correntes maioritárias neste país - diversos ramos do Sufismo, importantes politicamente e que não são aliados do Ocidente, mas não seguem os ditames da organização de Ben Laden - terá sido "a gota que fez transbordar o copo". Impõe-se a pergunta: depois disto estaremos mais seguros? Não necessariamente pois o "número dois" de Ben Laden, Al-Zawahiri tem revelado capacidades de direcção e comando das operações terroristas e, ao longo destes dez anos, a Al-Qaeda, por pressão militar, policial e da intelligence ocidental, ela foi obrigada a descentralizar-se o que, embora diminuindo a sua capacidade para realizar acções espectaculares, permitiu-lhe projectar a sua capacidade operacional a diversos áreas do globo. Por outro lado, nasceu e desenvolveu-se em vários países uma nova geração da Jihad, doutrinada pela internet e pela TV, pronta a desencadear acções "espontâneas e sem líder". Para conter estes fenómenos preocupantes, a cooperação entre polícias, forças de segurança e serviços de informações é da maior importância!

Mundo

"Matar", disse ele. E cumpriu o que disse

A 13 de Dezembro de 2001, a revista Time contou o vídeo em que, durante um jantar com sequazes, Ben Laden comentava a queda das Torres Gémeas, acontecida só três meses antes. A revista guardou o último parágrafo para citar esta frase que o terrorista disse aos seus: "Quando as pessoas vêem um cavalo forte e um cavalo fraco, por natureza tendem a gostar do cavalo forte." Sete anos depois, em 2008, durante a campanha, Barack Obama disse o que havia a fazer com Ben Laden - e disse-o numa palavra e de forma clara: "matar" - que surpreendeu os que o supunham fraco. Depois, ao ser eleito, ele escolheu uma equipa musculada para a segurança e política externa - Hillary Clinton, na Secretaria de Estado, Robert Gates, que transitou do Governo Bush para o mesmo posto na Defesa, e o general Jim Jones, que foi comandante supremo da OTAN, para conselheiro principal de Segurança. Nesse momento, os americanos começaram a suspeitar de que Obama não estava disposto a dar a outra face, não cumpriria um mandato como um seu correligionário, o democrata James Carter, que permitiu que os fundamentalistas do ayatollah Khomeini sequestrassem os funcionários da embaixada americana em Teerão - fraqueza que alimentou durante décadas a força do islamismo. Então, naqueles dias em que havia expectativa sobre o novo, tão original e desconhecido Barack Obama, os humoristas americanos foram os primeiros a perceber. Steve Colbert fingiu-se enganado: "Então, não era o Dalai Lama para a Segurança? E o Michael Moore não ia ser promovido a general, para filmar a retirada das tropas do Iraque? E o Bono?..." E, de forma ainda mais clara de falso espanto, o famoso Jon Stewart disse no seu programa The Daily Show: "Querem ver que quando Obama dizia que queria matar o Ben Laden era mesmo a sério?!" Eles, os humoristas, adivinharam, logo em 2008, antes mesmo de Obama tomar posse, que este Presidente percebera a metáfora de Ben Laden. Esta semana, o mundo inteiro entendeu. A América não aceita fazer de cavalo fraco.