Wolfgang Schäuble

Miguel Szymanski

Tostões e milhões. Políticos e corrupção

Um político de mão aberta a receber envelopes com dinheiro de um traficante de armas é uma cena pouco edificante mas dá sempre um enredo interessante. Facilmente o cinema na nossa cabeça projeta imagens para ilustrar a história: um país tropical na América do Sul, o político sentado a uma grande secretária a esfregar as mãos, o traficante com um charuto na boca e um embrulho de papel cheio de notas debaixo do braço. Assim ou parecido. Ninguém imagina o austero ex-ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, numa transação monetária deste tipo. Mas isso aconteceu e foi na Alemanha. Schäuble defendeu-se dizendo que se tratava de um donativo para o seu partido, apesar de na tesouraria do partido não haver registo da entrada desse dinheiro, aproximadamente 50 mil euros. A carreira política de Schäuble sofreu. Só depois de uns anos voltou à política para ensinar os países do Sul a gerir as suas finanças. Um outro político e ex-membro do governo de Berlim tomou uma opção mais radical. Alvo de investigação por suspeita de corrupção, saltou de paraquedas. Não puxou o cordel para o abrir e resolveu todos os seus problemas legais e outros. Há não muito tempo, o presidente da República da Alemanha recebeu um empréstimo de um empresário, muito seu amigo, para comprar casa. Acabou por ter de se demitir. Mais esperto terá sido o ex-chanceler Gerhard Schröder. Para quê esconder envelopes e luvas?