Victor Ângelo

Victor Ângelo

Apoiar a legítima defesa da Ucrânia é o melhor caminho para a paz

A decisão de Olaf Scholz relativa aos tanques Leopard 2 marca um ponto de viragem na guerra de Vladimir Putin. Foi uma decisão difícil, sobretudo porque os serviços secretos alemães lhe diziam que Moscovo considerava a questão como uma linha vermelha especialmente relevante, que implicaria uma reação significativa. Para reforçar o argumento, Scholz era avisado que o círculo do poder russo enfatizava a possibilidade de utilização do seu vasto armamento nuclear.

Opinião

Da crise brasileira ao perigo global iraniano

A gravidade do que aconteceu a 8 de janeiro em Brasília é indiscutível. Convém, no entanto, ter presente que se tratou, simultaneamente, de atos de violência criminosa e de um enorme desafio político. As instituições judiciárias ocupar-se-ão da parte criminal e o Presidente Lula da Silva deverá responder à questão política, que passa sobretudo pelo fortalecimento da unidade nacional. Quero acreditar que o conseguirá, tendo em conta a força das instituições democráticas do país e a sua experiência política pessoal.

Victor Ângelo

Da taverna da aldeia à aldeia global

O meu amigo Heinrich partilha o mesmo nome próprio com o príncipe alemão que foi detido a 7 de dezembro, acusado de estar à cabeça de uma associação de extremistas ultranacionalistas que sonhava tomar de assalto o parlamento em Berlim. No total, foram presos 25 conspiradores, numa operação que mobilizou milhares de polícias em várias localidades da Alemanha. Este grupo constituía a parte mais violenta de uma rede de radicais, à volta da qual se movimentam mais de 20 mil cidadãos, segundo as estimativas das polícias alemãs que se ocupam deste tipo de ameaças -- o Ofício Federal para a Proteção da Constituição, o Serviço Federal de Inteligência e o Serviço de Contrainteligência Militar.

Victor Ângelo

Emmanuel Macron e o seu labirinto

Se fosse francês, teria votado pela reeleição de Emmanuel Macron. Mas reconheceria agora que o presidente francês está presentemente confrontado com um quadro político muito difícil, ao qual nem sempre tem respondido com a clareza necessária. Internamente, a cena política está totalmente fragmentada. O que tem sido aprovado na Assembleia Nacional, incluindo o programa de governo e as medidas orçamentais, tem exigido o recurso a uma disposição excecional da Constituição. Mais tarde ou mais cedo, Macron terá de dissolver a Assembleia, pois não pode continuar a governar por muito tempo com recurso ao famoso artigo 49.3, que permite fazer passar leis se não surgir nas 24 horas seguintes um voto de censura na Assembleia Nacional. É uma situação evidente de fragilidade.

Victor Ângelo

Putin, as armas nucleares e o futuro da paz

A 3 de janeiro deste ano, os líderes dos membros permanentes do Conselho de Segurança assinaram uma declaração conjunta sobre a prevenção de guerras nucleares. Escrevi então aqui que a China, os Estados Unidos, a França, o Reino Unido e a Rússia se haviam comprometido, pela primeira vez e de forma solene, a evitar um conflito nuclear entre eles, reconhecendo sem ambiguidades "que uma confrontação desse tipo não tem vencedores e, por isso, não deve ocorrer".

Victor Ângelo

Quanto vale o otimismo?

Podemos entrar no último trimestre de 2022 com uma nota de otimismo, de esperança que a parte final deste ano possa ser um tempo positivo de viragem? Pergunto isto sabendo que é muito difícil, numa situação tão complexa e perigosa como a que agora vivemos, ser-se ao mesmo tempo realista e otimista. O otimismo é uma postura combativa, uma interpretação dos factos que procura sublinhar as tendências positivas. O otimismo constrói-se e faz falta. Mas não pode ser um exercício de ilusão ou de engano. A situação atual é demasiado grave, não se compadece com fantasias, ausências de realismo ou matreirices políticas, como por aí vemos.

Opinião

Uma rentrée bem complexa: e agora?

Estamos de volta, depois da pausa de agosto. É a chamada rentrée política, a nível internacional sempre marcada pela abertura de um novo ciclo anual da Assembleia Geral das Nações Unidas. Assim acontecerá na próxima semana, com os líderes mundiais a dar os toques finais aos discursos que irão pronunciar. O Secretário-Geral gostaria que se falasse sobretudo de paz, da crise alimentar que aflige várias regiões do globo, das alterações climáticas, do impacto da pandemia da COVID-19 nos países mais pobres e da educação dos jovens. Mas esta é uma rentrée muito especial, com uma guerra a decorrer no "primeiro mundo" -- algo impensável há uns meses, quando se associava conflito a ausência de desenvolvimento, ou seja, quando andávamos todos iludidos com teorias que guerras eram coisas de gente pobre e residente em horizontes longínquos.

Victor Ângelo

O G20 como um modelo para o Conselho de Segurança de amanhã

Hoje, não escrevo sobre a Ucrânia, embora reconheça ser fundamental manter o assunto no topo da agenda da comunicação pública. Esse é, aliás, um dos grandes riscos desta crise: os putinistas, os seus parentes neoestalinistas e neofascistas, sem falar dos idiotas úteis que escarafuncham nos media e cacarejam de poleiro, gostariam de ver a invasão russa desaparecer dos cabeçalhos. Nos nossos dias, o que sai da primeira página é facilmente ignorado. Essa gente acha que é conveniente esquecer a agressão decidida por Vladimir Putin, que, além disso, não tem nada de geopolítica - se assim fosse, o autocrata teria uma outra postura relativa às candidaturas de adesão da Finlândia e da Suécia à NATO, para já não falar dos Bálticos. Está agora claro que Putin sonha com a velha lengalenga do destino histórico da Mãe-Rússia.

Victor Ângelo

Emmanuel Macron: os seus e também nossos desafios

Neste domingo e no próximo decorrem as eleições legislativas em França. Emmanuel Macron precisa de uma maioria presidencial na próxima Assembleia Nacional. Ou seja, de uma vitória da Ensemble, a coligação de partidos centristas que o apoia. Tendo presente as fraturas existentes em França, o peso do país na política e na economia europeias, e a complexidade da situação internacional, espero que o consiga. Mas, acima de tudo, porque a alternativa seria uma coligação dominada por Jean-Luc Mélenchon, um narcisista lunático e demagogo, que propõe um programa irrealista. Nouvelle Union populaire écologique et sociale, Nupes, assim se intitula a amálgama que Mélechon conseguiu construir e que apresenta mais de trezentos candidatos do seu partido às eleições. Os outros parceiros estão lá como pau de cabeleira: cem candidatos ecologistas, sessenta do velho Partido Socialista, e cinquenta pelos comunistas.

Victor Ângelo

Ucrânia: quais os deveres da China?

No início da semana, Olaf Scholz reuniu-se por videoconferência com Xi Jinping. Um dia depois, foi a vez de Emmanuel Macron. Imagino que houve acerto de posições entre os dois líderes europeus, apesar do encontro presencial entre ambos só ter tido lugar umas horas após a reunião virtual do chanceler alemão com o presidente chinês. Xi Jinping está convencido que o reforço da unidade europeia permitirá, a prazo, uma maior autonomia da Europa em relação aos EUA. Por isso, deve ter comparado as intervenções de Scholz e Macron, para ver se vão no mesmo sentido, quanto ao essencial.

Opinião

Democracia na época do instantâneo digital

A Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação (APDSI), uma instituição cívica que tem contribuído ao longo dos anos para o crescimento da cibernética em Portugal, organiza hoje, no Convento da Arrábida, uma reflexão sobre as democracias na era digital. Ou seja, um debate sobre o futuro do exercício do poder político face aos avanços extraordinariamente rápidos na área das tecnologias da informação, que irão aprofundar ainda mais a época do instantâneo, como chamo ao período que vivemos.