Victor Ângelo

Victor Ângelo

Grandes problemas pedem grandes soluções

Angela Merkel chegou ao poder, em 2005, porque o Partido Social-Democrata (SPD) recusou fazer uma aliança com a extrema-esquerda, que tinha as suas raízes ideológicas na extinta República Democrática Alemã. Se a tivesse feito, o SPD ficaria com a liderança do novo governo e o destino de Merkel entraria numa via secundária. O SPD, que pertence à mesma família política do partido de António Costa, havia obtido 34% dos votos nas legislativas de setembro desse ano, um ponto percentual menos do que o agrupamento CDU/CSU, que tinha Merkel por candidata. Após três semanas de negociações, o centro-direita e os socialistas chegaram a um acordo de governação. O parlamento alemão aprovou então a coligação de ambos. Representavam cerca de 70% do eleitorado.

Exclusivo

Entrevista a Victor Angelo

"NATO perto de fronteiras russas permite consolidar o poder de Putin"

Foi secretário-geral adjunto das Nações Unidas, trabalhando na sede em Nova Iorque mas sobretudo em diversos países africanos. Em conversa com o DN, o português Victor Angelo faz a análise do embate América-Rússia, da ascensão da China, das ambições da União Europeia e também de desafios globais como a pandemia da covid-19 e as alterações climáticas.

Victor Ângelo

Biden e Putin: um diálogo indispensável

Quando líderes como Joe Biden e Vladimir Putin passam duas horas numa discussão frontal, nós, simples cidadãos, podemos olhar para isso de modo positivo, mesmo quando os resultados se afigurem incertos. Sempre defendi que as grandes crises devem ser diretamente discutidas entre quem de facto detém o poder. Deixar essas crises serem tratadas ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros, por muito experientes que sejam, não chega. Tantas vezes, serve apenas para agravar os mal-entendidos e fazer finca-pé nas posições extremas. É frequente ver ministros mais papistas do que o papa. Mesmo quando anteveem soluções, não ousam mencioná-las, com medo da reação do chefe. Cabe ao líder enviar sinais de apaziguamento, indicar o caminho e marcar as balizas, as agora chamadas "linhas vermelhas".

Victor Ângelo

Somos todos pela democracia… 

O Presidente Biden organiza nos dias 9 e 10 uma cimeira virtual pela democracia. Será a primeira de duas. Nesta, o objetivo é o de levar cada dirigente a anunciar medidas que reforcem a vivência democrática no seu respetivo país. Na segunda, dentro de um ano, proceder-se-á ao balanço das promessas agora feitas. Os EUA também assumirão compromissos. Veremos quais, porque, nos últimos anos, a democracia americana revelou fragilidades preocupantes. Os EUA fazem parte, aliás, do grupo de países em recuo democrático, segundo o relatório deste ano do International Institute for Democracy and Electoral Assistance (IDEA), uma organização idónea baseada em Estocolmo.

Victor Ângelo

Não podemos varrer o Afeganistão para debaixo do tapete

Mario Draghi, o primeiro-ministro italiano e atual líder do G20, convocou para 12 de outubro uma cimeira extraordinária do grupo, com um único ponto na agenda: o Afeganistão. Trata-se de uma reunião urgente, que não pode esperar pela cimeira anual, que está marcada para os dois últimos dias deste mês. As preocupações sobre o Afeganistão são essencialmente duas: o drama humanitário, já muito agravado neste momento, mas que se tornará catastrófico com a iminente chegada do inverno; e a definição das condições necessárias para o reconhecimento internacional do regime talibã.

Victor Ângelo

A China, o Indo-Pacífico e as ilusões europeias

Nesta semana, Josep Borrell, que dirige as relações exteriores da Comissão Europeia, e o seu homólogo chinês, o ministro Wang Yi, reuniram-se por videoconferência, no quadro do diálogo estratégico que existe entre ambas as partes. Na véspera, Frans Timmermans, o vice-presidente executivo da Comissão, havia estado em contacto com o vice-primeiro-ministro chinês, para discutir a preparação da COP-26, que começará em Glasgow no final deste mês.

Victor Ângelo

As Nações Unidas face ao desafio talibã

António Guterres acaba de sublinhar a gravidade da situação humanitária que vive o Afeganistão. Lembra-nos que cerca de metade da população precisa de ajuda alimentar para poder sobreviver e que os apoios sociais de base, nomeadamente na área da saúde, estão fechados ou à beira do colapso. Com a chegada em breve dos rigores do inverno, a crise tornar-se-á ainda mais séria e menor a capacidade de agir. Anuncia, por isso, que, já na próxima semana, o sistema das Nações Unidas irá lançar um apelo humanitário urgente.

Victor Ângelo

A União Europeia no caminho do colapso

O húngaro Viktor Orbán, o polaco Jaroslaw Kaczynski e o turco Recep Erdogan voltaram a ser lembrados nesta semana como três das grandes ameaças à continuidade da UE. O relatório agora publicado pela Comissão Europeia sobre a situação do Estado de direito nos países membros coloca em evidência os dois primeiros. A crise na Líbia põe de novo em cena o terceiro. Todos eles fazem parte das preocupações quotidianas de quem quer construir uma Europa coesa, baseada nos valores da democracia, da tolerância e da cooperação.

Victor Ângelo

A democracia não pode ser um faz-de-conta

Nas sociedades mais desenvolvidas, assiste-se a um aceleramento da digitalização de todas as dimensões da vida dos cidadãos. A pandemia contribuiu enormemente para esta revolução digital. Mas vem aí mais. A capacidade de tratar milhões de informações através dos novos métodos de inteligência artificial e os avanços na área da automatização permitirão o controlo - e, em muitos casos, a manipulação - das pessoas de modo nunca visto.

Victor Ângelo

Lukashenko em voo picado

Para alguns Estados, a repressão dos dissidentes não conhece nem limites nem fronteiras. Vale tudo, quando alguém é considerado inimigo do regime. Mesmo quando vive no estrangeiro, convencido de que está mais seguro. Pode, todavia, não estar, se for considerado pelos criminosos que controlam o poder no seu país de origem como um alvo a abater. Certas ditaduras têm um braço repressivo muito longo. Não têm pejo de agir em terra alheia e de praticar assassinatos, raptos, ou proceder a acusações frívolas ou sem fundamento, de modo a forçar a Interpol a emitir avisos internacionais de captura e repatriamento. Noutros casos, intimidam brutalmente os membros da família que ficaram no país, com o objetivo de calar o opositor que se encontra noutras latitudes.

Victor Ângelo

A autonomia estratégica da Europa

Tianjin é uma cidade portuária, a pouco mais de uma centena de quilómetros a sudeste de Beijing. Quando as potências europeias estabeleceram concessões na China, desde meados do século XIX, esta foi uma das localidades escolhidas como porta de entrada, com a vantagem de estar perto da capital. Hoje, é uma zona metropolitana que abrange uma área maior que a do distrito de Beja - imaginemos todo o Baixo Alentejo urbanizado, uma paisagem de arranha-céus com mais de 15 milhões de habitantes. Em 2025, Tianjin deverá ter uma economia duas vezes e meia maior que a portuguesa.