TV e Media

Opinião

Título é a vitrina da notícia: quer-se verdadeiro e atraente

Registo que, nos últimos tempos, os títulos das notícias e das reportagens do DN têm sido mais atraentes, imaginativos e leves. Deduzo que está em curso uma aposta em mais investimento no tempo dedicado a espremer meninges para conseguir mais fácil cativação do leitor. É este o saboroso paradoxo da criação do título: ele resulta tanto mais ligeiro e convidativo quanto mais nos encerramos na gravidade de ter de o construir inspirado, limpando-o depois de toda a transpiração que implicou.

Opinião

Ninguém cativa o exclusivo de ideias mas é cortês reconhecer a autoria delas

Exatamente há uma semana, o editorial do DN pronunciava-se sobre o tema da expulsão de magistrados portugueses que se encontravam a desempenhar funções em Timor-Leste. Escreveu o diretor: "A justiça é a base da soberania, não pode ser delegada e cortada às fatias, não se partilha, assume-se. Portugal mal suportou a intervenção da troika, ainda assim menos intrusiva. O ranger de dentes nas ruas foi permanente - e ainda bem - porque a nossa autonomia foi menorizada. É muito provável que as investigações em Díli estivessem a ser bem conduzidas e até que Timor viesse, a prazo, a ganhar com isso. A corrupção é um dos motivos que levam um Estado a falhar. Mas o governo, o nosso, não podia ter enviado magistrados portugueses para fazer trabalho que só pode ser feito - melhor ou pior - por timorenses. O país é deles. Podíamos ser consultores, não impulsionadores, não decisores. Portugal cometeu um erro diplomático, isto é, um erro político. É a política que define as relações entre nações independentes, ainda que próximas, não a justiça."

Opinião

Onde se fala de fábricas privadas que produzem iogurte só para Fidel

A chamada de primeira página do DN de há exatamente duas semanas era "Fidel tem pequenas fábricas onde é feito o seu próprio iogurte". Remetia-se o leitor para uma entrevista nas interiores. Ali, o título da primeira era repetido com um acrescento: "e queijos". Temos, pois, que o obstinado e controverso líder da Revolução Cubana possui pequenas fábricas - não se informa quantas... - que lhe produzem em exclusivo os iogurtes e os queijos com que se banqueteia. Ele há cada excentricidade...

Opinião

Leitores do DN para quem o jornal é 'seu' podem e devem participar

A questão da participação dos leitores através de cartas que desejam ver publicadas no DN, que o sentem como "seu", é um assunto sobre o qual me pronunciei várias vezes e entendo que quem mais ganha ao lhes albergar as opiniões é o jornal. Posição diametralmente oposta é a que, há dois anos e oito meses, sem êxito, tenho manifestado em relação a um número considerável de vadios malformados de espírito que se empenham em transformar a caixa de comentários numa latrina da sua podridão mental - com esses, nem o DN nem a liberdade têm alguma coisa a lucrar.

Provedor do leitor

A batalha sem tréguas dos dinossauros vivos contra a escravidão (fim)

Daniel Ricardo, membro do Secretariado da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, discordou das minhas conclusões nos artigos intitulados A batalha sem tréguas dos dinossauros vivos contra a escravidão, sobre a exploração esclavagista que órgãos de informação praticam com os estágios não remunerados de candidatos cujos trabalhos enchem páginas de jornal ou asseguram piquetes de prevenção em audiovisuais em horários desconfortáveis que os profissionais (?) para eles empurram.

Opinião

Magistrados precisam de escutar o conselho de Apeles ao sapateiro

Escolhi abordar hoje uma questão que envolve o Correio da Manhã. Faço-o porque o assunto em causa diz respeito a todos os jornalistas, aos tribunais, aos juristas e aos sucessivos legisladores. Os leitores do DN não têm qualquer dúvida de que o CM não é um jornal da minha preferência, quer na escolha dos temas quer na sua abordagem e aproveitamento, sendo para mim evidente que é norteado por uma agenda política e partidária muito subliminarmente traçada. Mas reconheço naqueles jornalistas o profissionalismo e o apego ao trabalho, o faro jornalístico e os dentes de buldogue para filar a notícia - e por aqui me fico.

Provedor do Leitor

Marinho e Pinto ou o resfriado castigador do "faro" jornalístico

Pessoa minha amiga e que muito prezo pela humanidade dos seus escrúpulos viu-se aqui há algumas décadas, não muitas, diante de um cálice que não pôde recusar beber: o cavaquismo já não jorrava o leite e mel de empréstimo e a alegre destruição do aparelho produtivo fazia sentir as primeiras consequências - as rescisões voluntárias em massa nas grandes empresas, a anteceder a ameaça de despedimentos coletivos. Estávamos lançados na via de duvidoso retorno da globalização, vocábulo erudito e melífluo para dizer imperialismo e colonialismo económico à escala mundial.