Dos 27 dirigentes nacionais que hoje vão terminar a reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, não se espera que resolvam a crise da União Europeia. Apenas se exige que façam os serviços mínimos para salvar a Zona Euro (ZE). Há vários meses, a União de Bancos Suíços publicou um estudo sobre as consequências de uma eventual implosão da ZE. Elas seriam abomináveis. Os chamados países periféricos, onde Portugal se situa, sofreriam perdas no rendimento nacional que poderiam chegar aos 50%. Mesmo a Alemanha poderia perder 25% do seu PIB. O Conselho Europeu, que hoje termina, terá de evitar o risco de uma destruição de riqueza material e desordem social nos países da ZE, apenas comparável aos resultados de uma guerra em grande escala..Já percebemos que entre os membros deste Conselho Europeu não existe nem visão nem coragem suficientes para qualquer mudança redentora da União Europeia. Mas os povos da Europa não os perdoarão se a sua tibieza e miopia levarem ao empobrecimento e ao recuo civilizacional de centenas de milhões de europeus, que todos os dias se erguem para governar honestamente as suas vidas. Na floresta de palavras do comunicado final, o Conselho Europeu terá de dizer algo de parecido com isto: "O Conselho Europeu, sem prejuízo da independência do Banco Central Europeu, encoraja todos os esforços que este efectue para conter a degradação do mercado da dívida soberana na Europa." Os mercados - dirigidos por gente mais inteligente e formada em melhores universidades do que Sarkozy e Merkel - perceberão a mensagem, e até pode ser que no dia 12 as bolsas abram em alta. Menos do que isso seria o rastilho para um regresso às barricadas. Como na Europa de 1848.