Sérgio Figueiredo

Bonsai

Vamos falar de responsabilidades...

...DA CRISE BANCÁRIA. É, antes de tudo e de todos, dos banqueiros. As imparidades. As falsidades. As leviandades. As inverdades. As mediocridades. A alta finança encolheu e os banqueiros perderam estatura. E estatuto. Pobres coitados, precisam de ajuda, que o Estado os proteja e que a gente os salve. Pobres de nós, da gente que somos todos, porque o risco é sistémico e o sistema não pode faltar a ninguém. Resolução, recapitalização, muito milhão, tanto e tantos que se cortam os zeros para se aumentar a unidade.

Bonsai

Esvaziaram o porquinho

1-Poupança negativa. A Joana Mateus publicou no último Expresso um artigo histórico. A poupança das famílias portuguesas é negativa! Nunca tinha acontecido, pelo menos desde que existem estatísticas do INE, numa série com mais de 40 anos. Há uma leitura imediata deste fenómeno: os portugueses depois de receberem salários, pensões, rendas, juros ou outros rendimentos, depois de pagarem impostos e contribuições sociais, ficam com um orçamento disponível que não cobre as suas despesas de consumo.

Bonsai

Pobres que somos

1. Não é a primeira vez que a ele recorro, mas o facto é que este diálogo entre Otelo Saraiva de Carvalho e Olof Palme não ficou completamente datado no ano em que supostamente aconteceu. "O que quer Portugal com esta Revolução?", perguntou o carismático líder da social-democracia europeia da década de 1970, entretanto assassinado, como se se sabe, a Otelo. Porque era enorme a curiosidade que estava instalada em toda a Europa sobre o curso do nosso país após o derrube da ditadura pelo golpe militar de 1974. Porque Otelo estava, por isso mesmo e a convite oficial, em visita à Suécia. Porque o capitão de Abril não tinha papas na língua, terá respondido qualquer coisa assim: "Queremos acabar com os ricos." Interessante, reagiu o então primeiro-ministro sueco, "nós andamos a tentar acabar com os pobres há 20 anos e não conseguimos".

Bonsai

Alerta geral, o diálogo voltou

1 Talvez por estar a escrever este texto à meia-noite de um domingo, não apetece trazer para aqui negócios e ideologias, provar opiniões com contas, sustentar com números ou evocar a globalização para confirmar, com o melhor de "lá de fora", o que está certo ou errado naquilo que vai acontecendo cá dentro. Não há uma posição política, apenas o sentimento do cidadão. E é estranha a sensação, para não dizer mesmo de irritação.