Salman Rushdie

Romance

O novo encantamento de Rushdie

Salman Rushdie gosta de salpicar os seus livros de magia, e A Encantadora de Florença está cheio de elementos desse fantástico que o escritor indo-britânico usa e abusa para dar coerência a uma história que liga a Florença dos Médicis à corte de Akbar, o maior dos imperadores da Índia. Mas não é só o regresso de Rushdie ao chamado realismo mágico, é também uma nova aventura sua por séculos mais recuados, neste caso o XVI, depois de ter estado absorvido pelo mundo contemporâneo em Fúria e em Shalimar o Palhaço, as duas obras anteriores. E se é um livro que, em traços gerais, faz justiça aos vastos méritos deste romancista nascido em Bombaim em 1947, também é verdade que não está entre o melhor que já publicou: não tem a imaginação de Os Filhos da Meia-Noite, nem a agilidade de O Último Suspiro do Mouro, muito menos a força de Shalimar o Palhaço, que trata do  fenómeno do terrorismo islâmico, com a sua dimensão global.