Rute Agulhas

Opinião

Os funcionários que contactam com crianças também precisam de formação

No contexto de uma justiça amiga das crianças, é imprescindível investir em formação especializada junto de todos os intervenientes nos processos judiciais. Falamos, habitualmente, dos magistrados judiciais, advogados, psicólogos, dos assistentes sociais, dos médicos e demais técnicos que interagem, de alguma forma, com as crianças e adolescentes. Seja no âmbito de processos crime, processos de promoção e proteção, processos tutelares educativos, processos de adoção ou processos de regulação do exercício das responsabilidades parentais.

Opinião

A que sabe a lua?

Vivemos formatados por uma forma de pensar racional e convencional e acabamos, sem nos dar conta, por perder a capacidade fantástica que só as crianças têm de pensar "fora da caixa". Ao crescer, deixamos de fazer perguntas estapafúrdias, de questionar aquilo que parece inquestionável, de rir só porque sim e de fazer o pino para tentar olhar as situações de um outro prisma. Temos de admitir. Quem de nós pensou ultimamente sobre qual seria o sabor da lua? Ou o som do chocolate? E a que cheira a luz? O que sente uma flor? Perguntas sem nexo... ou talvez não. Para as crianças, a realidade é vista de uma outra forma. Por um lado temos as crianças mais pequenas que, com o seu pensamento concreto, questionam aquilo que para os adultos parece tão óbvio. Uma criança a quem os pais separados diziam que existia a «roupa da casa da mãe» e a «roupa da casa do pai» perguntou: "mas os móveis vestem a minha roupa? Nunca vi as cadeiras com as minhas calças...". As crianças mais velhas, por seu turno, imbuídas já de um pensamento mais abstracto, enfrentam a realidade de uma forma que nos desarma. Uma criança vítima de maus tratos emocionais dizia, "já que os meus pais não conseguem ser adultos, tenho de ser eu a encontrar formas de resolver isto... aprendi a ignorar o que me dizem, a fazer-de-conta que me dizem coisas diferentes, imagino outras conversas, diferentes daquelas que existem".

Opinião

Sexo no comboio, discriminação da mulher e educação sexual

O vídeo viral sobre três jovens (ou jovens adultos) a manter comportamentos sexuais explícitos durante uma viagem de comboio tem sido sobejamente falado e dispensa quaisquer apresentações. Muitos viram até ao fim, outros tantos ficaram a meio e outros, ainda, denunciaram o vídeo. Alguns partilharam com amigos e não amigos. E depois existe aquela franja de pessoas que não se limitou a ver, apagar, denunciar ou partilhar. Tinham que fazer comentários depreciativos.