Rui Pedro Tendinha

Opinião

Sobreviver à demasiado previsível consagração de Del Toro

O crítico que amou Linha Fantasma, de Paul Thomas Anderson, que foi ao céu com o cinema liberal de Spielberg em The Post ou que ficou surpreendido pela exaltante precisão suíça de Três Cartazes à Beira da Estrada, de Martin McDonagh, tem de respirar fundo face à vitória esmagadora de A Forma da Água - dos nove nomeados para melhor filme aquele que menos entusiasmos provocava. Depois desse respirar fundo numa madrugada ingrata, há que encontrar aspetos positivos. Comecemos por um fator de surpresa: afinal, a Academia recusou repetir o que as associações, os Golden Globes e os Bafta fizeram: a tal divisão de prémios. Ou seja, os Óscares, ao contrário dos outros anos, não são o terminus previsível da temporada de prémios. Isso é de salutar, tal como aposta num género não habitual na Academia: o filme de monstros, neste caso uma fábula com um ser marinho com poderes sobrenaturais. A vitória de A Forma da Água consagra a fantasia, coisa rara...

Imagens de Berlim

Um festival gourmet com música forte

Ao contrário do que se possa pensar, as primeiras sessões a esgotar na Berlinale são as mais caras. Um filme com bilhete a 95 euros e muito antes de o festival começar já está mais do que esgotado? Sim, a culpa é da secção Culinary Cinema, onde os espectadores assistem ao filme cujo tema são os vinhos ou a comida e, depois, têm direito a um jantar de luxo no restaurante do festival, uma tenda bem aquecida com muito vermelho aveludado.