Rui Chafes

Opinião

Assistentes

Entrei na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa em 1984, no curso de Escultura. Um dos meus professores era Jorge Vieira, com quem, no contexto escolar, fui desenvolvendo uma imediata e crescente empatia. Apesar de ser uma pessoa "difícil e exigente", criámos desde logo uma mútua proximidade e, apesar de todas as diferenças que existiam entre nós, a nossa relação foi crescendo até se tornar uma grande amizade, que se prolongou depois do curso até à sua morte, em 1998. Para mim, enquanto jovem aspirante a artista, o seu exemplo como grande artista era inspirador, pois tinha por ele uma enorme admiração, era um nome mítico da escultura nacional. Em 1986, quando era aluno do 2.º ano, Jorge Vieira convidou-me a colaborar com ele na execução de uma grande escultura em mármore, dedicada ao mineiro de Aljustrel. Esses trabalhos duraram dois anos, nos quais eu passei algumas temporadas (uma semana ou duas, de cada vez) na sua casa em Estremoz, onde ia desbastando o enorme bloco de pedra, seguindo o modelo de gesso que Jorge Vieira tinha executado. Era um trabalho muito duro, mas guardo as melhores memórias daqueles dias em isolamento e silêncio, onde, para além do trabalho árduo, havia espaço para conversas e "discussões artísticas", para além da excelente culinária que ele desenvolvia. Não cheguei a levar a escultura até ao fim, pois a fase final, e mais difícil, foi entregue a um profissional, que a terminou.