Rosália Amorim

Rosália Amorim

Aeroportos, incêndios e anestesias

As imagens de caos no aeroporto de Lisboa e as notícias de centenas de voos cancelados, nos últimos dias, devido à greve dos trabalhadores da Groundforce (empresa cujos salários, recorde-se, foram assegurados pela TAP e, indiretamente, pelo Estado) preocupam ainda mais quem trabalha (ou sobrevive) no setor do turismo e motivaram apelos de intervenção musculada do governo por parte dos representantes patronais, perante o aparente silêncio das autoridades.

Rosália Amorim

Trilogia perigosa

Os portugueses aguardaram o esperado resultado do conselho de ministros ontem, de novo com alguma ansiedade. Desta vez nada foi decidido, e também por isso é notícia. Nada a registar quando a novas medidas de confinamento ou desconfinamento. Desta vez, o governo preferiu aguardar por uma nova reunião do Infarmed, marcada para o dia 27 deste mês. Só nessa altura saberemos como será o principal período de férias para muitos, em Agosto. Neste compasso de espera, os concelhos em situação de risco elevado ou muito elevado continuam a subir, passaram de 60 para 90. E a pressão nos internamentos do SNS subiu 19% numa semana e 18% nos cuidados intensivos. A única medida atualizada tem que ver com os autotestes, cuja venda foi aprovada em supermercados, tratando-se de testes rápidos de antigénio para deteção do SARS-CoV-2. O objetivo é reforçar a identificação de casos positivos de covid-19, numa altura em que Portugal se mantém na zona vermelha da (atual) matriz de risco e a situação epidemiológica continua a preocupar o governo e os portugueses, em geral.

Rosália Amorim

Toalha ao ombro, teste no bolso

Cada fim de semana, cada experiência de gestão pandémica. Os portugueses têm de voltar, uma vez mais, a adaptar-se aos novos horários e às novas regras. Já não precisam de ficar retidos na Área Metropolitana de Lisboa, mas, caso queiram ir dormir ou comer fora, têm de fazer-se acompanhar de certificado digital ou teste negativo. Como os testes em laboratórios de análises clínicas são dispendiosos para uma família média portuguesa e as farmácias continuam com filas de espera para realizar testes, o melhor é mesmo levar um autoteste no bolso e realizá-lo à entrada do hotel ou restaurante. É fácil imaginar as filas às portas desses estabelecimentos, em pleno mês de férias. Impõe-se uma nova rotina para, diz o governo, não fechar a restauração. A ver vamos se resultará ou se, desta vez, os espaços vão encher apenas de segunda a sexta - dias em que não são exigidos quaisquer comprovativos de vacinação ou de testagem - e ficar às moscas durante todo o fim de semana. Em época de férias, os veraneantes não costumam sair de casa apenas ao fim de semana, daí que quer os cidadãos comuns quer os empresários tenham dificuldade em interpretar esta decisão.

Rosália Amorim

A gota de água e o preço da verdade

Não há intocáveis e é saudável que assim seja. O empresário Joe Berardo e o advogado André Luiz Gomes estão indiciados por burla qualificada, fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais, falsidade informática, falsificação, abuso de confiança e descaminho ou destruição de objetos colocados sob o poder público. O caso Berardo, que conta com 11 arguidos (cinco pessoas individuais e seis pessoas coletivas), foi tornado público depois de uma operação policial em que foram feitas perto de meia centena de buscas, três das quais a estabelecimentos bancários, e que levou à detenção do empresário e colecionador de arte e do seu advogado de negócios André Luiz Gomes, suspeito pelos mesmos crimes.

Rosália Amorim

As boas e as tristes notícias

Sem vacinação não há economia nem país reabilitado. A vacinação da população é o caminho para enfrentar a pandemia e recuperar o país. A inoculação dos portugueses acelerou nas últimas semanas, e esse facto merece ser assinalado positivamente, e junta-se ainda a boa notícia da data de 4 de julho para início dos agendamentos para maiores de 18. Só com toda a população vacinada, incluindo as crianças - para que os surtos entre os mais novos tenham um travão, bem como os surtos entre os pais das crianças, muitos nas faixas dos 20 aos 40 anos -, poderemos respirar um pouco de alívio. Sabemos, ainda assim, que nenhuma poção mágica garante um proteção a 100% e que é preciso manter todos os cuidados: máscaras, lavar as mãos e distanciamento físico.

Rosália Amorim

"O mundo pula e avança, como bola colorida"

A Bélgica é o próximo adversário, em Sevilha, no Campeonato Europeu de Futebol. Diante da França, ontem à noite, Fernando Santos fez duas mudanças em relação à equipa nacional derrotada diante da Alemanha na última jornada: William Carvalho e Bruno Fernandes cederam espaço a João Moutinho e Renato Sanches. As alterações deram resultado. Portugal empatou com a França, por 2-2. É caso para dizer que vale a pena mexer em peças-chave, sem tabus, para obter resultados diferentes do passado. No jogo do Europeu, a grande estrela foi também Rui Patrício, uma águia a defender a seleção, por duas vezes, de forma impressionante. Do melhor que se viu nos últimos anos em futebol, num jogo de nervos em que a experiência e o bom senso imperaram.

Rosália Amorim

Quem colocou quem no bolso?

Hoje é o dia! Vamos saber da avaliação que faz o governo à situação pandémica em Lisboa. Recuará a capital no plano de desconfinamento? Só o saberemos mais logo. O primeiro-ministro disse ontem que a cidade terá o mesmo tratamento que os outros concelhos em função da matriz de risco da covid-19. Ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen (que veio a Lisboa dar luz verde ao Plano de Recuperação e Resiliência para Portugal), António Costa foi questionado sobre o tema e admitiu um cenário de antecipação em uma semana das medidas restritivas a aplicar a Lisboa pelo facto de a capital estar agora com uma incidência de novas infeções superior a 240 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias. "Todos os concelhos são iguais. Lisboa não será diferente dos outros concelhos e terá exatamente o mesmo tratamento", respondeu António Costa.

Rosália Amorim

"Erros, mentiras e omissões graves"

Que grande surpresa! A Comissão Parlamentar de Inquérito covid-19 do Senado aponta erros e omissões graves ao governo brasileiro. "Serão indiciadas as pessoas responsáveis e penalizadas, por terem participado na tragédia" que assolou o Brasil, afiançou ontem Omar Aziz, presidente da comissão parlamentar numa entrevista exclusiva à RTP. Apenas um mês depois do início dos trabalhos, as primeiras conclusões estão aí e sem admirações. "Foram ditas mentiras ao país e ao mundo, inclusive pelo primeiro-ministro e ministros da Saúde anteriores e atual", que terão "protegido o governo federal e Bolsonaro", afirma o presidente da comissão. "A causa" desses indivíduos não é o todo, não é coletivo, "não é o Brasil, mas pessoas".

Rosália Amorim

Vacinas? Quantas querem e para onde?

Acelerar a vacinação dos mais novos e a testagem é fundamental para reabilitar a economia e o tecido social. O plano de combate à pandemia compreende, desde o início desta semana, um avanço da testagem à covid-19, uma medida quem a meu ver só peca por atraso. Há muito que o desconfinamento entrou na vida dos portugueses, permitindo inclusive assistir a ajuntamentos como os que acontecerem em redor do estádio de Alvalade. Portanto, anunciar a aceleração do rastreamento é uma boa notícia , mas, mais uma vez, acaba ser uma medida tardia e que terá de correr atrás do prejuízo.

Rosália Amorim

Saúde, economia e bola para a frente 

Uma boa parte do país ficou ontem, de novo, inebriada com o futebol e a escolha dos 26 convocados para o Campeonato da Europa. Fernando Santos foi a estrela dos telejornais, quando anunciou os nomes dos atletas e entre os quais se destaca Pedro Gonçalves (Pote). "Pode dar à seleção o que deu ao Sporting", afirmou o selecionador nacional, a respeito deste jovem talentoso, que é a grande surpresa na equipa eleita. "Sermos campeões europeus não nos faz favoritos a vencer o Campeonato da Europa, ainda que sem público, mas seremos candidatos à conquista do título", afirmou Fernando Santos, com a fé que o caracteriza.

Rosália Amorim

Cimeira Social e a Europa em marcha

A importância do Estado social foi reafirmada no Porto, na cimeira que ainda decorre durante o dia de hoje e que junta vários líderes europeus. A pandemia mostrou, e bem, como o papel do Estado pode ser importante em momentos críticos da civilização. Durante o último ano, podia ter sido melhor e mais ágil? Podia, claramente. Mas desinvestir do Estado social só nos deixaria mais frágeis e impreparados para enfrentar as próximas grandes crises e pandemias que, segundo os especialistas na área da saúde e do ambiente, deverão tornar-se mais vulgares.

Rosália Amorim

Ver para crer como São Tomé

Todos os caminhos vão dar ao Porto, hoje, onde arranca a Cimeira Social. Este acontecimento poderá fazer história na União Europeia, já que, pela primeira vez, todas as instituições da Europa e parceiros sociais deverão assinar um acordo para a implementação do Plano de Ação sobre o Pilar Europeu dos Direitos Sociais. O primeiro-ministro acredita na importância deste "marco histórico". Já os trabalhadores europeus querem ver para crer, como São Tomé, e perceber em que é que tudo isto se traduz, na prática, em termos de proteção dos seus direitos.