Rosália Amorim

Rosália Amorim

Um travão sempre à mão

António Costa, primeiro-ministro, tem o travão sempre à mão. A pressão da pandemia sobre o Serviço Nacional de Saúde está a diminuir, mas o número de infetados tem vindo a aumentar. As mortes têm vindo a descer, mas o R(t) (índice de transmissibilidade) tem registado um crescimento. A linha vermelha traçada pelo governo pode ser alcançada no prazo de duas a quatro semanas, apontam os especialistas, e todo o cuidado é pouco na gestão da covid-19.

Rosália Amorim

Só Agora Começou, escreve Sócrates

A Operação Marquês fez (e ainda vai fazer) correr muita tinta, não só nos jornais, mas num livro que em breve será publicado, da autoria de José Sócrates, e de que hoje damos conta, em primeira mão. Só Agora Começou é o título da obra do antigo primeiro-ministro. Tem prefácio de Dilma Rousseff, ex-Presidente do Brasil, e foi redigido antes de ser conhecida a decisão do juiz Ivo Rosa, através da qual ficámos a saber (na sexta-feira) que José Sócrates será levado a julgamento por seis crimes, e não 31, como ditava a acusação do Ministério Público.

Rosália Amorim

Uma nova era da liberdade

Abril é tempo de liberdade. De sair à rua, subir às chaimites - os dois momentos cruciais de Abril teriam como estrelas as chaimites de Salgueiro Maia, transformaram-se nos ícones da revolução portuguesa - e gritar: "Somos livres." Mas é também um tempo de cautela, serenidade e reinvenção. Começou ontem uma nova era de liberdade para os portugueses. Após dois confinamentos provocados pela guerra - ainda longe de estar ganha - da covid-19, os cidadãos saíram à rua para respirar, trabalhar, conviver e sentar-se numa esplanada. Gestos simples, mas dos quais têm sido privados.

Rosália Amorim

Xadrez político e jogadas de antecipação

Cumprir e fazer cumprir a Constituição, afirmou António Costa. O primeiro-ministro fez uma declaração ao país visando o Parlamento, porque sabe que um governo minoritário não consegue, pura e simplesmente, governar se tiver todo o Parlamento contra ele. Costa terá avisado a Assembleia da República de que há aqui uma questão de governabilidade perante a aprovação de legislação de apoios sociais a sócios gerentes e trabalhadores independentes (o que implica aumento de despesa), prontamente promulgada pelo Presidente da República. O Executivo remeteu a legislação para o Tribunal Constitucional, o que era suposto ser Belém a fazer.

Rosália Amorim

Nuvens no céu do desconfinamento

Os portugueses apanharam o primeiro balde de água fria logo nas primeiras horas do desconfinamento, com a suspensão da vacina da AstraZeneca. Os efeitos secundários, como os episódios de tromboembólicos, deixaram uma dezena de países europeus em estado de alerta e a cancelar a administração de doses desta farmacêutica, e Portugal seguiu o mesmo caminho. Esta decisão vem provocar um atraso de, pelo menos, duas semanas no plano de vacinação, o que faz que a primeira fase vá derrapar até final de abril. São 80 mil as pessoas que ficam em fila de espera, e nem os professores conseguirão proteger-se no rearranque do ensino presencial.

Rosália Amorim

Não tapar o futuro laboral com a peneira

O teletrabalho veio mesmo para ficar? Para alguns trabalhadores e empresas, sim; para uma população que desempenha funções em unidades industriais, agrícolas ou até comerciais, nem por isso. Há um país separado por duas realidades: um que não tem como ficar em casa - nem após mais um pedido do primeiro-ministro para o dever de recolhimento - e outro que o consegue fazer, mas, por vezes, com custos altos para si e para a família. E há os custos não mensuráveis, a nível psíquico e familiar, e depois há os quantificáveis: as contas de água, luz, internet e telefone que dispararam desde que o teletrabalho se impôs por força da pandemia, ou a fatura inerente à aquisição de material informático, porque nem sempre é fornecido pela entidade empregadora.

Rosália Amorim

Um ano de um novo (a)normal

Portugal assinala hoje um ano de pandemia. Quando surgiu o primeiro caso de covid-19 no país caíram por terra as convicções de que "o vírus chinês" não chegaria a terras lusitanas. Essas conceções ruíram, e com elas a economia, a sociedade - onde se inclui a saúde e a educação - e a política, tal como as conhecíamos até março do ano passado. Encetou-se então uma nova era. As posições políticas extremaram-se, os populismos engordaram e o centrão uniu-se em autodefesa.

Rosália Amorim

Vacinar, sim. Defraudar expectativas, não

O que mais desejamos, além do fim da pandemia? Uma vacina. Rápida, eficaz, indolor. Os atrasos das farmacêuticas na entrega das vacinas à Europa trouxeram desânimo. Os adiamentos surtiram um efeito terrível em termos sociais e económicos. Agora, numa tentativa de reatar a confiança - e acreditando que, desta vez, as produtoras de vacinas vão cumprir com as entregas - , a União Europeia informou ontem que estima que em meados de março "tudo vai funcionar normalmente" na produção e na distribuição de vacinas contra a covid-19 nos Estados membros. Pela voz da comissária da Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, soubemos que "a expectativa é que dentro de duas, três semanas, tudo vá funcionar normalmente com os níveis de produção e de distribuição muito mais fortes do que até agora". A comissária acredita que à medida que se alcance a "velocidade de cruzeiro" os países terão de concentrar-se na "capacidade" de administrar as vacinas à população, porque irão "chegar, chegar e chegar". A Europa deu luz verde a três vacinas, mas já admite recorrer também à fórmula russa, desde que se sujeite à verificação da Agência Europeia de Medicamentos.

Rosália Amorim

Há vida para além da covid-19

O impacto da pandemia nas nossas vidas e na nossa economia está muito longe de estar devidamente calculado. Contudo, por vezes a realidade tem a capacidade de nos surpreender pela positiva. Apesar das duras consequências provocadas pela covid-19 nas trocas comerciais, Portugal conseguiu segurar o excedente externo que tem mantido desde 2012, em plena era de intervenção da troika. Os dados inesperados foram apurados na balança de pagamentos, divulgados ontem pelo Banco de Portugal. Em 2020, o saldo conjunto da balança corrente e de capital ficou em 256 milhões de euros, o que compara com o excedente de 2591 milhões de euros registado em 2019, diz o banco central. Não é de estranhar que o superávite conseguido - apesar de ser uma boa notícia - seja o mais baixo desde 2012, quando Portugal passou a ter um excedente na balança corrente e de capital. O atual excedente não é devido nem ao crescimento das exportações, no geral, nem ao desenvolvimento do turismo, em particular. A explicar este indicador estão os fundos europeus e a participação de Portugal no orçamento comunitário. Para perceber este novo "milagre" português vale a pena ler este artigo.