Rosália Amorim

Opinião

Incertezas e contorcionismo

A nota de conjuntura do Fórum para a Competitividade relativa ao terceiro trimestre inquietou vários economistas ontem, ao ser divulgada. A economia portuguesa manteve um crescimento homólogo de 1,9%, mas com uma desaceleração trimestral de 0,6% para 0,3%. Mais, a qualidade do perfil de crescimento mostra deterioração, no mesmo período, com a aceleração do consumo privado, de 2% para 2,3%, e desaceleração do investimento de 10,5% para 8,8%. São demasiadas desacelerações juntas.

Rosália Amorim

Afinal, a gestão não está fora de moda

Quando muitos portugueses pensavam que os mais novos se interessavam sobretudo por robótica, inteligência artificial, aeroespacial e outras engenharias da moda... eis que a velha gestão volta a ser a área de que mais gostam muitos dos miúdos da geração Z, apura um estudo da Hays (grupo líder mundial em recrutamento de profissionais qualificados). Apesar de os talentos mais procurados no mercado serem os que têm competências nas áreas de tecnologias da informação, de engenharia e comercias, a tal geração Z diz que o que importa é o "gosto pela área". E esse gosto recai hoje precisamente na área da gestão.

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Rosália Amorim

Ética não é enfeite de discursos políticos

Estes são tempos em que é urgente refletirmos sobre as questões da ética, tal como na crise económica e financeira mundial de 2008 e 2009. A ética não é um conceito esotérico, nem uma abstração da filosofia política, nem um slogan que fica bem para maquilhar discursos dos governantes ou dos administradores. A falta da ética é sinónimo, quase sempre, de corrupção, de falha de modelos de governance ou até de anarquia por colapso dos sistemas. A falta de ética semeia populismos, revela despreocupação com a Res publica e pode gerar revoltas.

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Rosália Amorim

OE 2019 e "o último orçamento que acabei de apresentar"

"Menos défice, mais poupança, menos dívida", foi assim que Mário Centeno, ministro das Finanças, anunciou o Orçamento do Estado para 2019. Em jeito de slogan, destacou os temas que mais votos poderão dar ao governo nas eleições legislativas, que vão decorrer no próximo ano. Não é todos os anos que uma conferência de imprensa no Ministério das Finanças, por ocasião do orçamento da nação, começa logo pelos temas do emprego ou dos incentivos ao regresso dos emigrantes. São assuntos que mexem com as vidas das famílias e são temas em que o executivo tem cartas para deitar na mesa.

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Opinião

África: Menos paternalismo, mais realismo

"A Europa deve olhar África sem paternalismo", disse ontem Durão Barroso no EurAfrican Forum, que decorreu no Estoril. Numa tentativa de aproximar a África e a Europa, o ex-presidente da Comissão Europeia - por sinal uma figura muita respeitada em Angola e na África em geral, pelo menos desde os Acordos de Bicesse (promovidos por Barroso enquanto secretário de Estado dos Assuntos Externos e Cooperação, em 1990) - quis deixar no ar as palavras que espelham a sua experiência na relação com os países do sul, que tanta vezes apelidamos de "irmãos".