Ricardo Rodrigues

Opinião

Um dia hei de comer macaco

Mamã Esperança não sabia, mas foi lá no fim do mundo que ela me explicou Angola todinha. Tínhamos saído de Luanda de madrugada para ver o Zenza do Golungo, uma aldeola perdida no Bengo a quatro horas e meia da capital, três das quais nos obrigavam a percorrer uma picada de terra vermelha. Ali, o capim dobrava a altura de um homem e as acácias serviam de baloiço aos macacos que acompanhavam o percurso do jipe, como golfinhos no canal. Mamã Esperança, 71 anos, explicava que antes não havia macacos. Antes, disse ela, não havia nada.