Ricardo Paes Mamede

Os equívocos de João Miguel Tavares sobre a social-democracia

Os equívocos de João Miguel Tavares sobre a social-democracia

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, afirmou numa entrevista que o programa eleitoral do BE é social-democrata. João Miguel Tavares (JMT) concluiu daí que todos os principais partidos portugueses se revêem hoje na social-democracia. Segundo o colunista isto é um risco para o sistema político, pois reduz as possibilidades de escolha, alimenta a abstenção e abre caminho a partidos anti-sistema. O texto de JMT está cheio de equívocos.

Ricardo Paes Mamede

Trump não explica tudo

Mais uma vez, Donald Trump protagonizou um grande evento internacional. Entre tweets provocadores e afirmações desconcertantes, o presidente dos EUA chamou a si os holofotes da cimeira do G20 que decorreu na semana passada em Osaka. Acusou a Alemanha de não querer pagar os custos da NATO, o Japão de viver à sombra do poder militar dos EUA e a Índia de aumentar as tarifas alfandegárias sobre os produtos americanos. Elogiou a política agressiva contra a imigração seguida pela Austrália e brincou com Putin sobre a interferência russa nas próximas eleições em terras do Tio Sam. Trump faz tudo para que falemos dele. Mas Trump não chega para explicar o estado em que o mundo está.

Ricardo Paes Mamede

A "carga fiscal", a "carga social" e a AT em Valongo

O escândalo está instalado desde final de Março, quando o INE revelou que a receita de impostos e contribuições atingiu em 2018 o valor mais alto das últimas décadas. O clima piorou na semana passada, ao saber-se que a Autoridade Tributária andava a cobrar dívidas à beira da estrada. Muitos acusaram o Estado de "confisco" e exigiram a baixa dos impostos. O argumento é popular e vai ser repetido até às eleições de Outubro. Mas tem dois problemas: primeiro, em termos relativos a subida da "carga fiscal" é muito menor do que parece; segundo, o aumento da receita pode ser uma boa notícia.

Opinião

A notável estabilidade eleitoral em Portugal

O aspeto mais impressionante do resultado da votação de domingo é a estabilidade do comportamento eleitoral dos portugueses. Um número mais ou menos igual de eleitores votou mais ou menos nos mesmos partidos, mantendo os grandes equilíbrios políticos mais ou menos na mesma. Isto não significa que a política portuguesa esteja estagnada, nem que o resultado eleições europeias de 2019 seja irrelevante para o que aí vem. Mas não deixa de ser notável a estabilidade eleitoral em Portugal, ainda mais numa Europa em convulsão política.

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Ricardo Paes Mamede

Socialista e europeísta?

O PS já escolheu o tom para a campanha das eleições europeias deste ano. Os socialistas vão apresentar-se como o mais europeísta dos partidos portugueses. Não apenas o partido que conduziu o país à Comunidade Europeia, ou que assegurou a participação de Portugal no euro desde a sua fundação. Tal como Macron há dois anos, o PS quer ser visto como a força partidária mais empenhada na defesa da União Europeia (UE) contra toda as posições soberanistas, sejam de direita ou de esquerda.

Opinião

Para além de racistas

Há tempos vi um vídeo que não vou esquecer tão cedo. É de noite. Vários tipos negros, com camisolas de capuz e ténis, olham à volta agitados. De repente começam a correr, todos na mesma direcção. A câmara mostra então um homem branco já velho, sentado num automóvel, girando a chave da ignição sem sucesso. O homem olha pela janela assustado. Os negros aproximam-se, rodeiam o carro, começam a empurrá-lo. A expressão do condutor é agora de pânico. O plano alarga-se. Percebemos que o carro está parado numa passagem de nível e um comboio vem na sua direcção. Em esforço, os jovens conseguem tirar o carro da linha. O idoso está em choque e os jovens acalmam-no. O condutor sorri-lhes, agradecido.