Ricardo Paes Mamede

Opinião

Para que servem os rankings escolares?

Todos os anos as escolas portuguesas são ordenadas pelas classificações médias dos alunos nos exames nacionais. Do ponto de vista técnico, estes rankings são uma fraude. Em termos práticos, produzem efeitos contraproducentes. Não é o seu rigor nem as suas implicações que explicam o destaque que os media lhes dão. Os rankings são visíveis porque são polémicos e uma polémica acesa é sempre motivo de notícia. Mas, além de atraírem audiências, para que servem?

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Ricardo Paes Mamede

5 desejos para 2019

1. Uma nova lei de bases da saúde que defenda o SNS. A prestação de cuidados de saúde à generalidade da população é um dos maiores sucessos da democracia portuguesa. Em poucas décadas foi possível recuperar um atraso civilizacional de mais de meio século, colocando Portugal entre os países de mundo com melhores serviços de saúde. Continuamos a queixar-nos e com boas razões para isso. São horas de espera nas urgências e centros de saúde, semanas de espera por consultas de rotina, meses de espera por algumas cirurgias e anos de espera por um médico de família. Ainda assim, continua a ser nos hospitais da rede pública que os portugueses mais confiam. Estas conquistas não podem ser dadas como certas. Nos últimos 30 anos a saúde assumiu-se como um negócio muito lucrativo, conduzido por interesses poderosos. Já não estamos a falar de consultórios privados ou de pequenas clínicas, mas de grandes grupos económicos que prosperam na razão directa da degradação dos serviços públicos. Em 2019 vai discutir-se uma nova Lei de Bases da Saúde. Que sirva para assegurar um Serviço Nacional de Saúde que seja público, universal, de qualidade e tendencialmente gratuito.

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Ricardo Paes Mamede

Desafios hercúleos em Angola

Na sua recente visita a Portugal, o presidente angolano fez do combate à corrupção a mensagem central do seu discurso. "Quando nos propusemos a combater a corrupção em Angola sabíamos que era preciso coragem, porque estávamos a mexer com o ninho do marimbondo, e a picada da vespa é dolorosa", disse João Lourenço. Na verdade, o nível de corrupção é apenas um dos muitos desafios difíceis que a sociedade e as autoridades angolanas enfrentam.

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Ricardo Paes Mamede

Sucessos e insucessos do sistema de educação em Portugal

Espera-se do sistema de educação que cumpra vários propósitos, desde formar indivíduos mais capazes e autónomos até contribuir para a construção de uma sociedade mais próspera e inclusiva. Perceber em que medida um sistema educativo está a atingir os seus objectivos não é, pois, tarefa fácil. Ainda assim, a análise de alguns indicadores-chave permite constatar os enormes avanços que se têm verificado na educação em Portugal - e também muito do que ainda está por fazer.

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Ricardo Paes Mamede

E se o Estado português for melhor do que julgamos?

Todos nós já tivemos más experiências com o Estado português. Não faltam histórias sobre o funcionamento deficiente dos tribunais, dos serviços de finanças ou da segurança social, dos hospitais ou dos centros de saúde, dos serviços de registo e notariado, dos departamentos de licenciamento das câmaras, e tantos outros. São conhecidos casos de corrupção e de má utilização de dinheiros públicos aos vários níveis da hierarquia do Estado. Consideremos, porém, uma possibilidade: e se o Estado português for melhor do que julgamos?

Ricardo Paes Mamede

Ideologias e interesses no debate sobre a saúde

A discussão em curso sobre a nova lei de bases da Saúde é por vezes apresentada como um debate entre quem pretende melhorar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e quem por razões ideológicas ou corporativas pretende deixar tudo como está. Esta forma de enquadrar a polémica é triplamente equívoca. Primeiro, é hoje consensual que há problemas sérios no funcionamento do SNS e que são necessárias novas soluções. Segundo, todas as partes do debate são influenciadas por razões de natureza ideológica. Terceiro, os factores decisivos para o futuro do SNS não são hoje as considerações técnicas nem as convicções ideológicas - são os interesses em jogo e a capacidade que têm de impor as suas vontades.

Ricardo Paes Mamede

Quem ganha com contratos de exploração de petróleo?

Há mais de 70 anos que se faz prospecção de petróleo em Portugal. Por várias ocasiões se encontrou petróleo, mas nunca em quantidades suficientes que justificassem a sua exploração comercial. Talvez por isso os portugueses se tenham habituado a encarar o tema como encaram o primeiro prémio do Euromilhões: estão convencidos de que a probabilidade de se encontrar grandes quantidades de petróleo é quase nula - pelo que não vale a pena perder muito tempo a pensar nisso; mas se acontecer existir petróleo que justifique a exploração, esperam tornar-se milionários extravagantes da noite para o dia - pelo que não se perde muito em tentar de vez em quando.