Ricardo Paes Mamede

Ricardo Paes Mamede

A globalização que terminou em barbárie

Era uma vez um mundo onde bancos e empresas cada vez maiores, tirando partido das novas tecnologias e da liberalização das trocas entre países, conduziram as economias nacionais a uma profunda integração global. Este processo trouxe riqueza para alguns e pobreza para outros. Acima de tudo trouxe instabilidade, desigualdades e mudanças sentidas como excessivas por grande parte das pessoas. As populações começaram a questionar os políticos de sempre e a acolher discursos de ruptura. Em vários países começaram a chegar ao poder movimentos e indivíduos autoritários e agressivos. O mundo acabou afundado em guerras, morte e repressão. Isto não é uma previsão - é uma lição da história que nos chama a atenção para os riscos da era em que vivemos.

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Ricardo Paes Mamede

E se o Estado português for melhor do que julgamos?

Todos nós já tivemos más experiências com o Estado português. Não faltam histórias sobre o funcionamento deficiente dos tribunais, dos serviços de finanças ou da segurança social, dos hospitais ou dos centros de saúde, dos serviços de registo e notariado, dos departamentos de licenciamento das câmaras, e tantos outros. São conhecidos casos de corrupção e de má utilização de dinheiros públicos aos vários níveis da hierarquia do Estado. Consideremos, porém, uma possibilidade: e se o Estado português for melhor do que julgamos?

Ricardo Paes Mamede

Ideologias e interesses no debate sobre a saúde

A discussão em curso sobre a nova lei de bases da Saúde é por vezes apresentada como um debate entre quem pretende melhorar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e quem por razões ideológicas ou corporativas pretende deixar tudo como está. Esta forma de enquadrar a polémica é triplamente equívoca. Primeiro, é hoje consensual que há problemas sérios no funcionamento do SNS e que são necessárias novas soluções. Segundo, todas as partes do debate são influenciadas por razões de natureza ideológica. Terceiro, os factores decisivos para o futuro do SNS não são hoje as considerações técnicas nem as convicções ideológicas - são os interesses em jogo e a capacidade que têm de impor as suas vontades.

Ricardo Paes Mamede

A "taxa Robles" e a desqualificação do debate político

A proposta de criação de uma taxa sobre especulação imobiliária, anunciada pelo Bloco de Esquerda (BE) a 9 de setembro, animou os jornais, televisões e redes sociais durante vários dias. Agora que as atenções já se viraram para outras polémicas, vale a pena revistar o debate público sobre a "taxa Robles" e constatar o que ela nos diz sobre a desqualificação da disputa partidária em Portugal nos dias que correm.