Rembrandt

Guilherme d’Oliveira Martins

O estranho visitante

Tenho-o visitado por estes dias. Está orgulhoso por continuar a atrair as atenções, ao fim de quatro séculos. É verdade que teve uma vida intensa e atribulada, mas o tempo deu-lhe o justo reconhecimento, como excecional pintor, pelo seu caráter próprio e inovador, pelo modo como soube interpretar os ambientes, como pôde lidar com a luz e as suas cambiantes e, sobretudo, pela capacidade de compreender o género humano. Se não se tivesse dedicado à sua arte, teria sido decerto um magnífico encenador dramático. Os seus retratos estruturam-se segundo uma harmonia de cores e um movimento que se destaca em fundos discretos, capazes de evidenciar a apresentação teatral, com recurso a um diversificado guarda-roupa que a historiadora de arte Luísa Sampaio enaltece, salientando a originalidade dessa faceta do artista - através de ornamentos orientais faustosos (correntes de ouro, armaduras, capacetes, chapéus de plumas). Trata-se de um rico desfile teatral que implica a rigorosa caracterização das figuras que nele participam.