Reconfiguração da Banca em Portugal

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Financiar o crescimento

1 Na nossa economia o financiamento assume uma importância crítica devido sobretudo à convergência de dois tipos de factores: dívida externa muito elevada e baixo nível de poupança interna. O primeiro mantém-nos numa situação de vulnerabilidade em relação às oscilações dos mercados financeiros. O segundo obriga-nos a procurar no exterior uma parte importante dos recursos necessários ao financiamento do investimento. Mas, para além disso, o mecanismo que na nossa economia assegura a intermediação financeira - o mercado bancário - atravessa um período de reorganização e de redimensionamento que tem vindo a reflectir-se negativamente no financiamento da actividade económica. Em particular no que se refere à generalidade das empresas - com excepção das que, pela sua dimensão, têm acesso directo a financiamento externo -, pode afirmar-se que têm vindo a operar num contexto de "repressão financeira" que constitui um travão ao crescimento. Na verdade, entre o início de 2012 e o final de 2016 - não considerando a evolução de 2011, ano em que foi lançado o programa da troika - o montante de crédito bancário a empresas não financeiras caiu cerca de 26%. No caso das indústrias transformadoras a queda foi menor, mas ainda assim significativa, cerca de 14%.

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Afinal a União Bancária já valeu a pena

A União Bancária arrancou formalmente no dia 1 de janeiro de 2016, ainda que vários aspetos práticos já funcionassem desde 2012. Consiste, fundamentalmente, na transferência de poderes de supervisão prudencial dos Estados membros para a União Europeia. Tendo sido objeto de vários esforços de coordenação desde os finais dos anos 1990, e acelerando-se com a crise desde 2008, a União Bancária implementa uma política única de supervisão e regulação das entidades bancárias de 26 países da União (sendo a Suécia e o Reino Unido, neste momento, os detratores deste processo). Neste contexto, a União Bancária é agora responsável por resoluções bancárias, assim como por todos os aspetos relativos às regras e boas práticas que regem o funcionamento dos órgãos sociais das entidades bancárias.