Raúl M. Braga Pires

Raúl M. Braga Pires

Portimão/Faro-Tânger ou Portimão/Faro-Casablanca? A escolha é sua!

A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Marroquina (CCILM), associada à Embaixada de Marrocos em Portugal, procede actualmente a um levantamento público sobre o interesse do tecido empresarial português e dos particulares também, sobre a criação de uma ligação marítima entre ambos os países, criando-se assim uma alternativa ibérica ao existente exclusivo espanhol. O mais provável e lógico é que esta ligação se faça entre o Algarve e Tânger, ficando apenas a dúvida entre Faro e Portimão, enquanto ponto de partida e chegada. Acedendo ao sítio da CCILM, poderá solicitar via mail o respectivo formulário e dar o seu contributo.

Raúl M. Braga Pires

Argélia: legislativas antecipadas e vazias

A Argélia não está bem e estas legislativas, de amanhã, não trarão a solução, podendo aliás agravar ainda mais o problema. Desde o surgimento do Hirak-Movimento, que se insurgiu contra um mais que certo quinto mandato do ex-presidente (PR) Bouteflika, caso tivesse levado a sua avante em 2019, que a situação política interna se complicou. A momentânea vitória do Hirak e dos argelinos em geral, ao impedir tal vontade de um perpétuo democrático, criando a ilusão da mudança geracional, não evitou o inevitável momento de transição que, por muito optimista que seja, é sempre momento de tensão entre a resistência dos que saem e o pulso dos que entram. E o momento ainda é esse, de tal forma, que foi o que motivou a demissão do primeiro-ministro em janeiro e a convocação destas eleições.

Raúl M. Braga Pires

Azawad independente, utopia ou mentira colectiva?

Celebrou-se no passado dia 6 o 9.º aniversário da declaração unilateral de independência de Azawad, face ao restante Mali, decretada pelo Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA). Trata-se da utopia tuaregue que tem alimentado o ideário das várias confederações tribais dos "homens azuis" que povoam maioritariamente o norte do Mali, desde o período colonial francês. A luta pela libertação do Mali, neste contexto e período, sempre foi encarada pelos tuaregues como a luta pela libertação do seu território saheliano face ao Mali subsariano, verde na paisagem e negro na demografia.

Opinião

Tinariewn, a música de intervenção touaregue nos Grammy Awards 2021

A música hipnótica dos malianos Tinariewn, Desertos, na tradução literal, confunde-se com a resistência que herdaram de seus pais e avós à presença colonial francesa e, mais recentemente, ao Poder subsaariano e negro que emana a partir da Capital do Mali, Bamako. Negro na cor da pele e também negro nas acções tenebrosas que o Exército Maliano executou durante as décadas de 90, tendo como alvo as comunidades de mouros e tuaregues no norte, vulgo Azawad, vasta região que desde o tempo colonial não esqueceu uma ambição em tornar-se independente do "Mali do Sul". É aliás em consequência deste estado de guerra racial e étnico entre Norte e Sul, que o providencial Coronel Muammar Khadafi entra em cena e garante a paz no seu "quintal das traseiras", abrindo as portas da sua "Jamahiriya"* a jovens que quisessem estudar, a artesãos e quadros que quisessem trabalhar e também a quem quisesse ingressar nas Forças Armadas, formando assim a sua famosa Guarda Pretoriana, que após a sua morte regressou ao Azawad de armas, bagagens e toyotas todo-o-terreno e ainda convencidos pelos franceses de que, em breve, seriam independentes. Não será aliás, por acaso, que ao 9º álbum, de nome "Amadjar", em português, "O estrangeiro de passagem" ou "que passa", os Tinariewn estejam nomeados para a 63ª edição dos Grammy Awards, na Categoria "World Music". A história de "despaisamento" destes 6 magníficos, sempre acompanhados também por vozes femininas, reflecte-se nas letras que cantam tendo por base um sincretismo musical que se apoia na música tradicional tuaregue, no "Chaabi"** marroquino e no "Rai"*** argelino, cujas guitarras eléctricas e percussões fazem de cada tema uma "oração de blues do deserto". Um fadinho eléctrico e ritmado por cabaças e pele de testículo de camelo, portanto, que de forma hipnótica e em crescendo, vai cantando em Tamasheq, as mágoas e esperanças dos "homens azuis", como os franceses os carimbaram, visto a cor original do "Chéche", o turbante, lhes ficar colada ao rosto, por via da transpiração. Tudo isto ecoa no silêncio do vasto Sahara, tendo-se tornado inspiração de resistência e esperança não apenas para os tuaregues com nacionalidade maliana, mas também no Níger, Chade, Argélia e ainda para berberes marroquinos, argelinos, líbios e mouros mauritanos, que mantêm a esperança de um dia verem constituída a Tamazgha, uma Confederação a construir, grosso modo, desde o Mediterrânio até ao Rio Níger, isenta de passaportes, na boa tradição nómada e dos homens livres. É esta a utopia que os Tinariwen alimentam, visto também serem a encarnação moderna de uma figura central na História e na hierarquia social Tuaregue, a do "Griôt", o "Cantador de Histórias", cuja importância para qualquer líder tribal é a de um "Fernão Lopes da tradição oral"! Como nota final, para quem esta banda é desconhecida e lhe queira sentir o gosto, sugiro que procure primeiro pelo tema "Nànnuflày" e depois avance para "Sastanàqqàm" ou ainda para uma desbunda que fizeram ao vivo com os Red Hot Chili Peppers com "Cler Achel", que voltarei ao tema em Janeiro para festejarmos em maior sintonia e regozijo este Grammy, oxalá! *Estado das Massas **Popular (não pimba) ***Folclore

Opinião

Pompeo em Israel e Netanyahu na Arábia Saudita

A visita secreta do Primeiro-Ministro israelita à Arábia Saudita para se encontrar com o Príncipe Herdeiro Mohamed Bin Salman, já foi desmentida e confirmada por entidades suficientes, para se manter a dúvida razoável sobre esta deslocação, mas não parece improvável, dada a importância dos Acordos de Abraão e dado tratar-se da reta final da Administração Trump, a qual tem neste Acordos, o Adquirido que poderá salvar a mesma de um fracasso em todas as frentes.