PSD | Porto

Sebastião Bugalho

De derrota em derrota até à vitória final?

Poucas coisas são tão irresistíveis quanto a política e a sua imprevisibilidade. A sua capacidade de surpresa. A sua vertigem, semelhante ao carro que mergulha num viaduto mal desenhado ou ao espreitar uma ravina de altura desconhecida. Na nossa política, o PSD é por certo o precipício mais íngreme, a rampa mais escorregadia, a contracurva capaz de maiores reviravoltas. Ninguém diria que Rui Rio, abandonado por Cavaco, Balsemão, Morais Sarmento, Moedas e uma mão cheia de caciques, sobreviveria à contestação de Paulo Rangel. Mas foi assim. Sem nenhuma vitória eleitoral para mostrar em quatro anos, sem uma única sondagem nacional acima dos 30% desde que é líder, com um Conselho Nacional crescentemente hostil e pouco mais do que a distrital de Aveiro e um município recém-recuperado pelos sociais-democratas atrás de si, Rio venceu a disputa interna deste fim-de-semana.