privatizações

Opinião

Negócios de lana-caprina

Cada um é como é. Nem sempre se consegue resistir sem pestanejar ao que aí se ouve. Por essa razão, lida a peremptória afirmação de um ex-ministro da Economia (face à evidente deterioração do serviço público postal e à degradação da própria empresa) de que a privatização dos CTT tinha sido "boa e oportuna", se está de regresso ao tema das privatizações. Um impulso que ainda por aqui vacilou dada a legítima hesitação de quem, antes de se pôr a escrever, deve ter a prudência de saber se o que se vai pôr a comentar é para levar a sério. Vencida a dúvida, admitido que não se tratou de uma daquelas graçolas de fim-de-semana e identificado autor, não há como passar ao lado. Ficámos a saber que Pires de Lima, ministro do governo PSD-CDS, não só se sente "orgulhoso" do rasto de destruição pública a que com Passos Coelho, Cristas e Sérgio Monteiro se dedicaram com o que privatizaram, como se confessa martirizado por não ter concluído tal obra. Registe-se a franqueza e o espírito de equipa: sem subterfúgios ou conversas de "meias-tintas" assume-se como bom o crime económico do governo por onde passou e ainda se distribuem louros por alguns outros que, tendo vendido a alma ao diabo, no caso o país à voragem estrangeira, foram devidamente premiados para prosseguirem a sua actividade de leiloeiros.