população

Emigração

Menos pessoas a sair e mais a regressar a Portugal

O Instituto Nacional de Estatística diz que há mais pessoas a escolher Portugal para viver, mais a regressar - sejam portugueses que viviam há mais de um ano fora do país, sejam imigrantes - e menos a querer sair. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras confirma que voltou a haver um fluxo de brasileiros, alguns dos quais já aqui tinham trabalhado. Movimentações que ajudam a equilibrar a balança da demografia portuguesa mas que não a tiram do saldo negativo. O ano de 2017 será crucial para perceber se a nação recupera os seus cidadãos e atrai novos rostos. Rui Pena Pires, coordenador do Observatório da Emigração, prefere esperar pelas contas finais de 2015 e sobretudo as de 2016 para falar de uma nação que voltou a ser atrativa. Além de que a informação estatística tem pelo menos um ano de diferença em relação à realidade. Continuam a emigrar cerca de cem mil pessoas por ano, quase menos 30 mil do que nos anos anteriores: 134 624 (2014) e 128 108 (2013) respetivamente, mas ainda assim em número elevado, considera o sociólogo. E até aumentou a emigração dos mais jovens, daqueles que têm entre os 25 e os 34 anos. O INE indica uma diminuição de 18,5% nos emigrantes permanentes e menos 29,7% nos temporários (de 85 052 para 60 826). Os dados resultam de informação recolhida no âmbito do Inquérito ao Emprego e é por amostra. Enquanto o Observatório da Emigração recorre à informação dos países de destino dos cidadãos nacionais, em geral da segurança social. "Os nossos dados dão a manutenção da emigração e, a haver uma diminuição, será muito ligeira. A emigração diminuiu para uns países e aumentou para outros. E, por outro lado, Portugal está com uma atratividade muito próxima do zero", explica Rui Pena Pires. Em 2015 chegaram mais emigrantes a Espanha, Reino Unido, Canadá, Dinamarca e Suécia. Situação inversa registou-se na Suíça, Alemanha, Holanda, Brasil, Luxemburgo e Noruega. Falta informação de França e de Angola. E tanto portugueses como estrangeiros que regressaram ao país deve-se sobretudo a uma degradação das condições económicas nos países onde residiam, explica o sociólogo.