Péssima Companhia

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Um pedaço de Bacon (2)

Francis Bacon regressou lá anos depois, quase no final da vida, sabendo que a cidade que conhecera não existia mais. Atravessou o Muro em direcção a leste (logo ele, que sempre teve inclinações de direita e horror ao comunismo), foi ao Pérgamo admirar a estatuária egípcia, na esteira de uma paixão antiga, nascida no Cairo. A viagem a Berlim, porém, só confirmou o pior pressentimento: estava velho e cansado, gasto, não era o mesmo.

Exclusivo

António Araújo

Se Veneza morrer

"Não se pode morrer sem se ver Veneza", escreveu um tio meu num postal para casa, há muitos anos, em embriaguez total de Sereníssima. As circunstâncias da vida acabariam por me dar, a dada altura, o grato encargo de ter de ir regularmente até lá, o que, sem jamais me ter permitido decifrar a cidade e o seu enigma (coisa de que nem os próprios venezianos se podem orgulhar), me aperceber, horrorizado, do ritmo em que a sua degradação tem vindo a ocorrer.

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Uma educação sentimental (4)

Evelyn Waugh casou-se com Laura Herbert em Londres, em Abril de 1937. A sua amiga de sempre, Maimie Lygon, esteve presente, naturalmente. E, em 1939, seria a sua vez de se casar, com um exilado russo, Vsevolod Ivanovich, sobrinho do último czar, cuja família escapara dos bolcheviques quando ele ainda era criança. Venderam as pratas, o jovem Vsev estudou em Eton e em Oxford, mas, para ganhar a vida, teve de passar a fazer algo impensável na sua família: trabalhar. O sobrinho do czar das Rússias tornou-se vendedor de lubrificantes industriais no norte de Londres, onde era conhecido por Mr. Romanoff. Pelo casamento, Maimie tornar-se-ia a princesa Romanovsky-Pavlovsky.