Pedro Sequeira

Opinião

Golos na hora certa

O Portugal-Hungria foi, de longe, o jogo mais emocionante do Euro 2016. A seleção esteve três vezes em desvantagem, mas conseguiu o objetivo mínimo. O empate bastou para chegar aos oitavos, sendo certo que, mais uma vez, Portugal foi superior ao adversário mas não venceu. É importante reter que três empates com Islândia, Áustria e Hungria são um mau sinal. Esperava-se mais da seleção. A boa notícia é que Ronaldo regressou aos golos, num dia que começou de forma atribulada... O objetivo do passeio matinal da seleção, antes do decisivo jogo com a Hungria, era descomprimir. Mas saiu tudo ao contrário. Uma confusão pegada, com dezenas de seguranças a separar os jogadores da multidão de adeptos que foi acompanhando os passos dos atletas, com gritos de incentivo, é certo, mas criando um ruído desnecessário, que é a antítese do momento de tranquilidade que se queria proporcionar. Ronaldo perdeu a cabeça e atirou o microfone de um repórter da CMTV para o lago. Um pouco mais de cuidado no planeamento do passeio teria evitado tudo isto. Que se retirem lições para o futuro. Com o mal feito, rapidamente as imagens chegaram aos quatro cantos do mundo, mostrando um capitão incapaz de manter o sangue-frio. Em simultâneo, outras imagens faziam o mesmo caminho - as que mostravam o espantoso golo de livre de Messi frente aos EUA. Durante horas foi assim: Messi, o predestinado vs. Ronaldo, a bomba-relógio. Felizmente, para ele e para Portugal, Ronaldo também "rebentou" no campo: dois golos e uma assistência. Decisivo, portanto. Estas novas imagens não passam uma esponja no que se passou de manhã, mas ajudam (e muito) a recuperar uma evidência: o português é um dos melhores do mundo e há que contar com ele para o que falta do Europeu. Os dois golos chegaram, por isso, na altura certa. Tal como o da Islândia, nos descontos frente à Áustria, por permitir a Portugal, se for progredindo na prova, evitar equipas como Espanha, Itália, França, Alemanha ou Inglaterra. Mas, para já, a preocupação é a Croácia, uma equipa claramente superior a todas as que enfrentámos até aqui. Importa corrigir os problemas defensivos. No resto, ontem ficou a certeza que um meio-campo com William, João Mário e Renato e um ataque com Ronaldo, Nani e Quaresma fazem aparecer um Portugal mais forte.

Pedro Sequeira

Ronaldo e o legado de Mandela

Em 2010, no Mundial da África do Sul, a seleção nacional visitou Nelson Mandela. Um encontro carregado de simbolismo e que foi recordado por Ronaldo, após a morte de Madiba: "O seu legado é uma inspiração para todos." Do legado de Mandela faz parte o exemplo de liderança que deu ao mundo, a forma como mobilizou e reconciliou um país num momento de transformação único que resultou do fim do apartheid. Após décadas de cativeiro, não procurou vingança pessoal. Deu, isso sim, primazia ao interesse coletivo. Algo que o capitão português ainda tem dificuldade em fazer.