Pedro Sequeira

Pedro Sequeira

O bronze virou ouro nas mãos de Telma

Esta era a segunda vez que ela saía das mãos de Telma Monteiro. A outra tinha sido durante a noite, quando a judoca, finalmente, cedeu ao cansaço depois do turbilhão de emoções que se seguiu à subida ao pódio olímpico do Rio 2016 e foi dormir. Agora, andava de mão em mão, sempre com Telma por perto a testemunhar o regozijo de quem tocava numa medalha olímpica pela primeira vez. Também eu o fiz. Senti o peso, apreciei os pormenores gráficos e devolvi-a intacta à feliz proprietária.

Opinião

Não, não vai ser à maluca

Portugal ainda não repetiu um onze no Europeu. Sendo isso verdade, não vejo aí um sinal que Fernando Santos ainda esteja à procura de uma equipa. Com quatro jogos disputados, torna-se claro que o sistema preferido é o 4x4x2 (embora tenha ensaiado frente à Áustria o 4x3x3, com Nani, Ronaldo e Quaresma no ataque) e que Renato Sanches é segunda opção, por muito que agite as águas quando entra em campo e traga uma dinâmica mais agressiva ao ataque da seleção, dando-lhe profundidade, aproximando-a da baliza adversária. Há ainda o debate Moutinho ou Adrien a titular, mas essa já é uma questão secundária porque não obriga a mudar a forma de jogar da equipa (hoje até podem jogar os dois). Santos quer organização. A aposta é no resultado e não na nota artística ou no futebol à maluca, como o selecionador já o definiu. Para mim faz lógica. Estamos a falar de uma prova a eliminar, na qual por muito que se jogue bem, no final, o que conta é quem ganhou e seguiu em frente. O selecionador, que foi o primeiro a apontar à conquista do título, tem uma ideia de jogo que lhe dá segurança e não deverá abdicar dela agora. Tem ao seu dispor um grupo de jogadores coeso, ambicioso, ao qual ninguém pode acusar de falta de empenho nos jogos. Tem também um plano B, que tem colocado em prática durante os jogos com bons resultados. Mas, salvo uma surpresa, esse é e continuará a ser o plano B. Se a equipa fizer caminho até à final, ninguém se vai lembrar do futebol pouco atrativo. Se, pelo contrário, tiver de regressar a casa antes do dia 11, ninguém poderá acusar Fernando Santos de falta de coerência.

Opinião

Golos na hora certa

O Portugal-Hungria foi, de longe, o jogo mais emocionante do Euro 2016. A seleção esteve três vezes em desvantagem, mas conseguiu o objetivo mínimo. O empate bastou para chegar aos oitavos, sendo certo que, mais uma vez, Portugal foi superior ao adversário mas não venceu. É importante reter que três empates com Islândia, Áustria e Hungria são um mau sinal. Esperava-se mais da seleção. A boa notícia é que Ronaldo regressou aos golos, num dia que começou de forma atribulada... O objetivo do passeio matinal da seleção, antes do decisivo jogo com a Hungria, era descomprimir. Mas saiu tudo ao contrário. Uma confusão pegada, com dezenas de seguranças a separar os jogadores da multidão de adeptos que foi acompanhando os passos dos atletas, com gritos de incentivo, é certo, mas criando um ruído desnecessário, que é a antítese do momento de tranquilidade que se queria proporcionar. Ronaldo perdeu a cabeça e atirou o microfone de um repórter da CMTV para o lago. Um pouco mais de cuidado no planeamento do passeio teria evitado tudo isto. Que se retirem lições para o futuro. Com o mal feito, rapidamente as imagens chegaram aos quatro cantos do mundo, mostrando um capitão incapaz de manter o sangue-frio. Em simultâneo, outras imagens faziam o mesmo caminho - as que mostravam o espantoso golo de livre de Messi frente aos EUA. Durante horas foi assim: Messi, o predestinado vs. Ronaldo, a bomba-relógio. Felizmente, para ele e para Portugal, Ronaldo também "rebentou" no campo: dois golos e uma assistência. Decisivo, portanto. Estas novas imagens não passam uma esponja no que se passou de manhã, mas ajudam (e muito) a recuperar uma evidência: o português é um dos melhores do mundo e há que contar com ele para o que falta do Europeu. Os dois golos chegaram, por isso, na altura certa. Tal como o da Islândia, nos descontos frente à Áustria, por permitir a Portugal, se for progredindo na prova, evitar equipas como Espanha, Itália, França, Alemanha ou Inglaterra. Mas, para já, a preocupação é a Croácia, uma equipa claramente superior a todas as que enfrentámos até aqui. Importa corrigir os problemas defensivos. No resto, ontem ficou a certeza que um meio-campo com William, João Mário e Renato e um ataque com Ronaldo, Nani e Quaresma fazem aparecer um Portugal mais forte.