Pedro Nuno Santos

Marisa Matias

Fogo amigo

A expressão é eufemística e supostamente refere-se a um engano. Fala-se de fogo amigo para um ataque que vem de dentro, e parece que é o que estamos a assistir em Portugal mesmo antes da paragem sazonal. Senão vejamos. A resposta à crise pandémica trouxe para o centro da política portuguesa a ministra Marta Temido e a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas. Em tempos de enorme incerteza, e não isentas de falhas, tiveram a capacidade de ir respondendo com o que sabiam, gerindo a incerteza e dando respostas de forma clara e corajosa. Essa resposta deu a Costa a popularidade de que tem gozado. É por isso que é tão indigna a mudança de postura de uma parte do partido do Governo que não se coíbe agora de criticar a sua intervenção e de fazer coro com a direita. É esta mudança um acaso? Não parece.

Pedro Nuno Santos

Para uma social-democracia da inovação

1 Depois da crise que Portugal viveu nos últimos anos, é muito clara a diferença entre as estratégias para o desenvolvimento do país defendidas pelo PS e pelos partidos à sua direita. Em contraste com a estratégia assente na privatização e liberalização de serviços essenciais, na desregulação das atividades económicas e na compressão de salários e de direitos sociais, o PS defende que a construção de um país próspero e justo depende da recuperação dos rendimentos e direitos sociais, da aposta na qualificação de pessoas e empresas e do aprofundamento das dinâmicas de inovação na economia.