Pedro Melo

Pedro Melo

"Acentuar a sua matriz conservadora"

A circunstância de não estar em causa uma disputa de liderança no CDS no conclave deste fim de semana não lhe retira importância política. Bem pelo contrário, é este o momento, por excelência, para que o CDS demonstre capacidade de se constituir, a breve trecho, numa alternativa à coligação de esquerda que hoje comanda o destino do nosso país. Impõe-se, assim, e desde logo, que o CDS revele, sem tibiezas nem ambiguidades, o seu posicionamento estratégico. Neste conspecto, importa ter presente que o CDS só se afirmou e cresceu quando conseguiu contrastar com o PS e o PSD. Será, pois, um erro crasso se optar por disputar o espaço do centro. Por outras palavras: o CDS só poderá ser compreendido e, consequentemente, mobilizador se acentuar a sua matriz conservadora e soberanista, resistindo à tentação de se tornar um partido catch-all para a qual nunca teve verdadeira vocação. É sobre esta pedra angular que deverá trabalhar para apresentar uma proposta política consistente, que permita ao país superar as dificuldades deste tempo de enorme exigência. Isto não se faz, porém, sem um trabalho de fundo muito sério. Ora, o CDS tem reconhecidamente bons parlamentares, militantes com larga experiência governativa e outros tantos com provas dadas na sociedade civil. Cumpre agora encontrar, de entre estes, os que estão mais bem posicionados para poderem dar o seu contributo ao partido e, por essa via, servir Portugal. E é aqui que reside, também, a importância deste congresso: a futura líder tem uma oportunidade de ouro para unir todos os militantes, demonstrando que convive bem com diferenças de opinião e que consegue congregar esforços em torno de um objetivo comum.No dia seguinte ao congresso, começarão os seus verdadeiros e mais espinhosos desafios: coordenar uma oposição combativa mas construtiva, convencendo os portugueses de que o CDS continua a ser um repositório de confiança e um partido credível.