Pedro Marques Lopes

Pedro Marques Lopes

Os meus pais e o Infarmed

Os meus pais vieram do Porto para Lisboa há quase cinquenta anos. Ao meu pai foi dada uma oportunidade que não teria se tivesse ficado no Porto e a minha mãe, professora, esteve mais de um ano parada até que conseguisse ser colocada numa escola da zona de Lisboa. Ninguém os empurrou e a sua sobrevivência económica não estaria em causa se tivessem permanecido na cidade onde nasci. Felizardos, eles e muitos outros homens e mulheres que puderam escolher. Outros, muito provavelmente a maioria, tiveram mesmo de rumar para o sul. As empresas em que trabalhavam mudaram as suas instalações, os serviços públicos fecharam e as hipóteses de trabalho foram-se tornando cada vez mais escassas.

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A Margarida e o 25 de Abril

O mais importante no muito falado discurso da deputada Margarida Balseiro Lopes foi sem dúvida a mensagem. A lembrança de que a Revolução de Abril não fechou fronteiras mas que as abriu, que o 25 de Abril é de todos os que acreditam na democracia, na liberdade e na capacidade de fazermos um país melhor aproveitando as nossas diferenças de opinião. Mais do que tudo, enunciou, de uma forma que já não se ouvia há muito, todos os objetivos a que nos propusemos como comunidade depois da Revolução. A social-democrata falou de educação, de saúde pública, de segurança social, de inclusão, de discriminação, de direitos laborais, de cultura e de outros assuntos que dão verdadeiro conteúdo à liberdade e à democracia.

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Uma lei com um super-Jacinto

1 A lei do financiamento partidário voltou a passar praticamente igual à que o Presidente da República tinha vetado. Claro que o diploma reflete as opções do legislador, mas neste tipo de legislação era absolutamente decisivo o debate público sólido e informado. Aliás, estou seguro - e o texto da sua decisão assim o indica - que Marcelo Rebelo de Sousa veta não porque não concorde com a grande maioria das soluções, mas porque entendia o importante que era que se falasse deste assunto. Teria sido fundamental fazer pedagogia sobre o papel dos partidos na democracia e sobre as grandes questões do financiamento. O mundo é como é e não como gostaríamos que fosse e o facto é que a imagem que os cidadãos têm dos partidos anda pelas ruas da amargura - sobretudo por culpas próprias e, diga-se de passagem, demasiadas vezes com razão. O drama é que os partidos como já perceberam que toda a discussão sobre eles traz ainda mais impopularidade, ainda mais ataques sobre eles e mais acusações, fecham-se em copas de cada vez que é preciso discutir as suas próprias vidas. Os partidos que tantas vezes atacam em corporações e a forma de se defenderem tornando a sua sobrevivência como um fim em si mesmo portam-se exatamente da mesma maneira. Contribuem para que seja fácil o comentário "só estão disponíveis para se entenderem quando os interesses são os deles".