Pedro Lains

Pedro Lains

Subitamente, os economistas…

Devagar, subitamente, comecei a ler no Twitter economistas de renome internacional a pedir que os governos por todo o mundo gastassem o que fosse necessário para combater a expansão do vírus que presentemente põe a humanidade em perigo. Essa posição é correctíssima, mas tem um lado estranho. Trata-se na verdade de uma posição unânime, abarcando vários tipos de economistas, incluindo aqueles que ainda há pouco tempo defenderam o contrário para combater a Grande Recessão (2008-2018). O crescendo de opiniões expressas nos meios de comunicação social culminou com recente declaração da presidente do BCE "exigindo" a Centeno e ao Eurogrupo que "voltem a gastar mais". O que é ainda mais notável, vindo como veio da anterior directora do FMI. Sabemos que a actual crise sanitária e a crise financeira que a precedeu são coisas diferentes, mas isso não significa que não possamos retirar lições sobre as razões de tão generalizada mudança de opinião.

Exclusivo

Pedro Lains

Christine Lagarde no BCE?

Um banco central, como o Banco da Inglaterra ou o Banco Central Europeu (BCE), existe para gerir as moedas nacionais ou das uniões monetárias. Nessa gestão, tem de se preocupar com o controle da inflação e, seguindo teorias já com algumas décadas, mas em que muitos ortodoxos não querem acreditar porque não lhes convém, com a correcta gestão da moeda de que as economias necessitam para a actividade corrente. Perante essas duas funções, natural tem sido que haja um determinado grau de coordenação política entre bancos centrais e governos nacionais, pois são funções em que diferentes políticas se cruzam. Essa coordenação nem sempre existiu com a mesma força, por esse mundo fora, e houve ocasiões de conflito entre governos e bancos centrais, mas era uma das garantias da correcta gestão da política monetária, financeira e económica.

Exclusivo

Pedro Lains

O que fazer com o 10 de Junho?

O que aconteceu neste ano com as comemorações do 10 de Junho foi um desastre anunciado. Na verdade, poucos nas esferas do poder sabem bem como lidar com a data, o que reflecte um problema maior, espalhado pelo país, relativamente ao que fazer com o passado, com a história. Abandonada à sua sorte, a data acabou por servir para uma discussão em círculo fechado, sobre temas mal definidos e pouco relevantes - o que nada tem de irrelevante. Alguma coisa tem de ser feita. Mas o quê? A história é feita de datas, entre outras coisas, e há datas simbólicas que tendem a receber especial atenção das instituições, do público em geral. Portugal tem datas importantes no seu passado, claro, da independência ao fim da conquista cristã e à definição das fronteiras, da revolução de 1383-1385 à chegada de Vasco da Gama à Índia, da Restauração à Revolução Liberal de 1820, ou da Implantação da República ao fim da ditadura do Estado Novo. Estas datas são importantes e estão quase todas no calendário das comemorações nacionais, como devem estar, para o bem e para o mal. São, todavia, datas internas, nacionais, menos importantes a nível internacional.

Pedro Lains

A austeridade, afinal, acabou ou não?

Desapareceram, aos poucos, os economistas e afins que, por moto próprio ou respondendo a perguntas acertadas, durante anos nos disseram que era preciso austeridade, que era preciso cortar nos salários, nas pensões, nas ajudas à pobreza, nas fundações, nos institutos, no que fosse. Desaparecidos que estão, não podemos contar com eles para responder a uma das grandes perguntas que tem grassado o debate público dos últimos três anos. Todavia, muitos dos que fizeram as perguntas ou criaram o ambiente próprio recordam-nos afincadamente que a austeridade continua, sempre a mesma, sem dúvidas e sem enganos. Acrescentam apenas que é uma austeridade disfarçada e não assumida. Em que ficamos, continuamos ou não com a austeridade?

Exclusivo

Pedro Lains

O Banco de Portugal está preso a uma história que tem de reconhecer para mudar

Tem custado ao Banco de Portugal adaptar-se ao quadro institucional decorrente da criação do euro. A melhor prova disso é a fraca capacidade de intervir no ordenamento do sistema bancário nacional. As necessárias decisões acontecem quase sempre tarde, de forma pouco consistente e com escasso escrutínio público. Como se pode alterar esta situação, dentro dos limites impostos pelas regras da zona euro, em que os bancos centrais nacionais respondem sobretudo ao BCE? A resposta é difícil, mas ajuda compreender e reconhecer melhor o problema.

Exclusivo

Pedro Lains

Em Davos, algo mudou

De repente, algo mudou em Davos, a conferência em que os ricos e poderosos deste mundo procuram ter voz. Em primeiro lugar e por circunstâncias diversas, faltaram alguns dos principais líderes mundiais. Em segundo lugar, foi dado palco ao novo presidente brasileiro que nada disse e cujo ministro da Economia, amigo de Davos, continuou desconhecido como dantes. Por fim e mais importante, falou-se de empresas e mudanças climáticas, de empresas e filantropia, de empresas e sociedade, mas o que mais sobressaiu foi o desgaste dessa conversa. Ao contrário, o que teve êxito foi tudo o que foi dito sobre taxar os mais ricos. Nada disto é por acaso. Vejamos então em que ponto estamos - com Portugal em pano de fundo.