Pedro Lains

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Atavismo institucional

Todos devemos recordar-nos das reportagens televisivas sobre a vinda dos técnicos do FMI a Lisboa, vistos como tendo a salvação do país nas mãos. E todos também devemos recordar-nos do tratamento especial que esses técnicos tiveram por parte do governo de Pedro Passos Coelho, que os instalou num hotel de luxo, onde tomavam regularmente o pequeno-almoço com Ricardo Salgado e outros altos dignitários da economia e da finança nacional. Fica para a ironia da história o facto de os mesmos técnicos terem sido redondamente enganados por Salgado, que deles conseguiu esconder as contas do banco que presidia e que então alegremente forjava. E, claro, todos deverão ainda recordar que o FMI foi chamado a Portugal por uma confluência de interesses privados e partidários, ajudados pela intervenção de supostos especialistas em coisas económicas, apoiados em ideias antigas e ultrapassadas sobre como se devem gerir economias em tempos de crises financeiras internacionais. Tudo isto pode resumir-se à simples conclusão de que os técnicos do FMI e seus aliados se enganaram redondamente em Portugal. Mas, enganaram-se ou, simplesmente, enganaram os mais incautos?

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Pedro Lains

Compreender Marques Mendes

Em Portugal, há recorrentemente espaço televisivo para políticos no activo comentarem notícias generalistas, uma especificidade no mundo desenvolvido. Trata-se de uma original mistura entre comentário político e espaço noticioso. Foquemos o caso mais saliente dos dias que correm para tentar perceber a razão dessa peculiaridade nacional. A conclusão é que ela não decorre da ignorância das audiências, da falta de especialistas sobre os temas comentados, ou da inexistência de jornalistas capazes. A principal razão é que este tipo de comentário serve acima de tudo uma forma de fazer política.

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Opinião

É tempo de deixar o Facebook?

As notícias sobre os problemas do Facebook sucedem-se a um ritmo aparentemente imparável. Enquanto isso, do lado dos responsáveis da empresa, apenas conseguimos promessas e pouca mudança. Na presente situação, o conflito entre rentabilidade e qualidade dos serviços parece insanável. Será então tempo de sair para responder aos problemas da plataforma? A resposta para um crescente número de pessoas na Europa tem sido positiva, embora se compreenda que muitos ainda dependerão da rede. Mas vejamos a gravidade da situação, para depois analisarmos o que podemos ganhar e o que podemos perder com a saída.

Pedro Lains

A atrocidade, o mundo e Portugal

Ainda estamos longe de um pedido de desculpas ao mais alto nível, que um dia acontecerá. Até lá, devemos perceber melhor o tráfico de escravos do Atlântico e como Portugal e os portugueses se envolveram. Um caminho que nos ajudará a melhor perceber o mundo global de hoje e reconhecer o quanto foi feito à custa da repressão dos mais fracos. Um passado que nos põe de sobreaviso sobre a necessidade de se resolverem problemas actuais, à escala global. O mundo pode e deve ser diferente.