Paulo Tavares

Opinião

Centeno despedido sem justa causa?

Costa e Marcelo deram tudo em palco e, presume-se, fora dele. Bem sei que andávamos todos - aqueles que gostam, comem e respiram política - a precisar de uma boa e animada crise, de algo que interrompesse o confinamento da intriga, mas que a peça que Primeiro-ministro e Presidente ensaiaram e levaram a palco nesta reentre tenha queimado em praça pública um ministro das finanças meses depois do país ter conseguido o primeiro excedente orçamental em democracia, talvez tenha sido um exagero.

Opinião

"Vai para o teu país, pá! Lá é que estás bem"

Não sei bem há quantas décadas andamos a aprender, ensinar e perpetuar narrativas mais ou menos enganadoras sobre quem somos e qual o nosso papel na história. A colonização amiguinha e inócua, os brandos costumes, o país inclusivo e quase nada racista e, mais recentemente, a ilha de razoabilidade e moderação política numa Europa rasgada por intolerância, xenofobia, nacionalismos e populismos vários.

Opinião da direção

Diplomacia não rima com pressa

Tomar "boa nota" é muito provavelmente tudo o que Portugal pode e deve fazer a esta altura, na ressaca diplomática do caso Skripal. A diplomacia portuguesa não tem por hábito reações precipitadas e se há algo que pode explicar a dissonância entre a dimensão geográfica do país e a sua projeção de força e influência na cena diplomática mundial - a eleição de António Guterres é o grande exemplo - é precisamente a capacidade de manter canais de diálogo abertos com todos.

Opinião

Assunção e um pecado capital

Assunção Cristas apresentou-se ontem no congresso de Lamego com um discurso de uma nota só. As ideias de que será em 2019 que vão a eleições lutar pelos votos do centro-direita em pé de igualdade com o PSD, de que ela, Assunção Cristas, é candidata a primeira-ministra e de que o CDS é a única e verdadeira alternativa ao governo do PS são, afinal e bem espremidas, uma só: na cabeça da líder, chegou a hora do CDS. A soberba é um dos sete pecados capitais, o que não fica nada bem num partido que se diz da democracia-cristã.

Opinião da direção

Pode Ser Diferente?

Sim, parece que sim. Rui Rio assumiu a liderança do PSD com um discurso forte, corajoso e pouco habitual nestes momentos de abertura de congressos partidários. Para lá da clarificação da noite - "o bloco central não existe nem existirá" -, o novo líder cumpriu o guião que melhor responde aos seus principais desafios neste arranque de liderança: afirmação da liderança, diferenciação ideológica e programática em relação à anterior direção e ao PS e a necessidade de unir o partido em torno do novo projeto.

Opinião da direção

O jornalismo e o desafio da verdade

Um jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionalistas e a declarações bombásticas; um jornalismo feito por pessoas para as pessoas e considerado como serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas - e no mundo são a maioria - que não têm voz; (...) um jornalismo empenhado em indicar soluções alternativas à escalada do clamor e da violência verbal." O apelo é do Papa Francisco, na mensagem que publicou ontem, no Dia Mundial da Comunicação Social - uma ideia saída do Concílio Vaticano II.