Paulo Tavares

Opinião

"Vai para o teu país, pá! Lá é que estás bem"

Não sei bem há quantas décadas andamos a aprender, ensinar e perpetuar narrativas mais ou menos enganadoras sobre quem somos e qual o nosso papel na história. A colonização amiguinha e inócua, os brandos costumes, o país inclusivo e quase nada racista e, mais recentemente, a ilha de razoabilidade e moderação política numa Europa rasgada por intolerância, xenofobia, nacionalismos e populismos vários.

Opinião

O sermão de Costa aos delegados

Na métrica dos aplausos é revelador que Pedro Nuno Santos a "dizer coisas de esquerda" e a imagem de Mário Centeno a chegar ao Eurogrupo com o cachecol da seleção nacional tenham tido resultados muito semelhantes. Entre o socialismo do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares e o pragmatismo do ministro das Finanças, Costa ganhou uma segunda geringonça, caseira e de gestão aparentemente divertida. Pelo menos foi isso que o sorriso do líder foi sinalizando.

Opinião da direção

Diplomacia não rima com pressa

Tomar "boa nota" é muito provavelmente tudo o que Portugal pode e deve fazer a esta altura, na ressaca diplomática do caso Skripal. A diplomacia portuguesa não tem por hábito reações precipitadas e se há algo que pode explicar a dissonância entre a dimensão geográfica do país e a sua projeção de força e influência na cena diplomática mundial - a eleição de António Guterres é o grande exemplo - é precisamente a capacidade de manter canais de diálogo abertos com todos.

Paulo Tavares

Um complicador desnecessário

É sempre interessante e ligeiramente assustador ver a máquina a funcionar. O complicómetro nacional ligou-se no rescaldo do incêndio de Pedrógão e reforçou-se com as mortes de outubro. Onde estamos agora que a primavera já entrou e que temos a "época de incêndios" quase à porta? Arrisco dizer que estaremos mais ou menos no mesmo ponto onde estávamos no ano passado por esta altura, sendo que caminhamos para o verão vestindo o conforto de uma longa lista de boas intenções.

Opinião da direção

Pode Ser Diferente?

Sim, parece que sim. Rui Rio assumiu a liderança do PSD com um discurso forte, corajoso e pouco habitual nestes momentos de abertura de congressos partidários. Para lá da clarificação da noite - "o bloco central não existe nem existirá" -, o novo líder cumpriu o guião que melhor responde aos seus principais desafios neste arranque de liderança: afirmação da liderança, diferenciação ideológica e programática em relação à anterior direção e ao PS e a necessidade de unir o partido em torno do novo projeto.