Paulo Baldaia

Opinião

Campeão rima com superação

A história deste título é a história de uma série de superações que acrescenta mérito a uma equipa que não se limitou a mostrar dentro do campo por que só o Futebol Clube do Porto podia ser primeiro. O campeão é o símbolo de uma cidade e de uma região, mas é também um clube global com adeptos nos quatro cantos do mundo, que seguiram a equipa para onde quer que ela fosse jogar, que a foram levar e esperar aos aeroportos, que se juntaram para ver os jogos na Sport TV.

Opinião da direção

Deu empate! E agora?

A ideia de que na política, tal como no futebol, o êxito se mede pelas vitórias jogo a jogo levou os "rebeldes" da bancada social-democrata a exigir a Fernando Negrão uma vitória no primeiro round. No fim, o debate morno terminou em empate e a guerra civil ficou adiada. É o pior resultado para o analista que habita o Palácio de Belém. Ou o contrário, tendo em conta que muitas vezes é preciso ter cuidado com o que se deseja.

Opinião da direção

Onde se arquiva a vergonha?

O Ministério Público (MP) descobriu que o ministro das Finanças pediu dois convites ao Benfica para ver um jogo de futebol. Por coincidência, descobriu igualmente que o filho do presidente do Benfica tinha pedido ajuda ao pai para acelerar a concretização de uma isenção de um imposto municipal, a que por lei tinha direito. O processo avançou e o filho agradeceu ao pai. Como se tratava de um imposto e os impostos têm que ver com as Finanças, alguém no MP chegou à rápida conclusão de que aqui havia marosca. A conclusão foi demasiado rápida e o mal estava feito.

Opinião da direção

Justiça a falar para o boneco

A cerimónia de abertura do ano judicial foi uma grande desilusão. Não tanto pela incapacidade de a maioria dos oradores ir além do politicamente correto mas, sobretudo, pela incapacidade de a maioria desses oradores falar com o povo a quem se dirige a justiça e em nome de quem ela é feita. Discursos pomposos, carregados de linguagem jurídica, feitos com tudo e o seu contrário, verdades insofismáveis sobre estatutos e dignificação das magistraturas.

Opinião da direção

O que falta e o que sobra a Costa

Marcelo Rebelo de Sousa procurou ontem dar uma lição de política a António Costa sobre o que o povo quer e não quer sobre a necessária ligação entre "o afetivo e o racional". No mesmo dia, o comissário Pierre Moscovici, na conferência de aniversário do DN, salientou a lição que António Costa deu à Europa sobre como fazer política. E assim, em duas penadas, se fez uma bela síntese do que falta e do que sobra ao primeiro-ministro de Portugal.

Opinião da direção

O Presidente, o pato e o cisne

A eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo só pode ser vista como negativa ou perigosa por quem considera a instituição negativa ou perigosa, quem quer que seja que a lidere. É o caso dos parceiros do governo socialista no Parlamento. Em coerência, diga-se, PCP e Bloco não batem palmas. O cisne que lhes apresentou uma política financeira onde couberam muitas das suas bandeiras agora é apenas um patinho feio que representa tudo o que comunistas e bloquistas consideram errado na política financeira da zona euro.

Opinião

Um governo refém do seu próprio sucesso

O maior elogio que se pode fazer ao governo de António Costa, nestes dois anos de existência, é o de ter sido capaz de agradar a gregos e a troianos, de ter sido capaz de ter a seu lado os parceiros de esquerda e os sindicatos, por um lado, e as instituições europeias, por outro. Devolver rendimentos aos trabalhadores cumprindo, ao mesmo tempo, as exigências europeias em relação ao défice orçamental provou que havia outro caminho, mas estas não são linhas que corram paralelas, são linhas oblíquas, onde até agora foi possível encontrar um ângulo positivo, mas em que, a partir do momento em que as linhas se cruzam, se regressa à divergência que tantos custos teve para o país. Não há dinheiro para suportar todas as reivindicações. Não há! Chegamos ao ponto em que o sucesso conseguido pelo governo obriga António Costa a revelar uma capacidade política que verdadeiramente não sabemos se tem. Não se pode retirar--lhe o mérito de ter feito o caminho que fez até aqui. As linhas correram numa trajetória sustentável, há mais dinheiro no bolso da maioria dos trabalhadores, com a reposição dos salários na função pública e o fim da sobretaxa do IRS, e o défice está controlado. O que se exige ao primeiro-ministro é uma redefinição de prioridades. Sem mexer na linha da consolidação orçamental, é preciso redirecionar os gastos públicos. A riqueza que o país cria e de que o Estado toma grande parte em suas mãos não pode continuar a ser utilizada apenas em benefício de um grupo eleitoral. Mesmo os funcionários públicos têm de entender que a fragilidade da economia portuguesa lhes pode voltar a cair em cima. Já se esqueceram do que aconteceu ao aumento salarial de 2,9% decretado pelo governo de José Sócrates em 2009? Resultou em cortes salariais de 3,5 a 10% dois anos depois. Quem tudo quer tudo perde. Seria de esperar que as diferentes corporações e as pessoas que delas fazem parte tivessem memória, mesmo que a memória seja curta, não há como ter esquecido o que aconteceu no início desta década. Se é verdade para a generalidade dos portugueses que, reposto o que foi cortado nos salários e aliviado o IRS, é obrigatório repor igualmente o investimento nos serviços públicos, esta necessidade deveria ser por maioria de razão verdade para os trabalhadores do setor público. Recuperado rendimento, para um professor, antes de ganhos extraordinários no vencimento, deveria importar a condição da escola em que exerce a profissão. Igual para um médico ou para um enfermeiro, para um polícia ou um militar, para todos os que à boleia de um aparente sucesso dos professores se preparam para lutar pelo que julgavam perdido e entendem ser justo. O que sabemos é que os salários no setor privado caíram muito e tardam a recuperar, enquanto no setor público já recuperaram e tendem a crescer, face ao que existia no início da crise. Terá o governo de António Costa capacidade política para lutar por um país mais justo? Para fazer o que diz e impedir que os recursos disponíveis sejam todos para quem trabalha no Estado? Não se trata de melhorar o vencimento dos trabalhadores do setor privado, mas de melhorar os serviços públicos que são pagos com os impostos de toda a gente, do privado e do público.

Opinião da direção

O mais difícil é dizer não

O governo chegou a meio do caminho, tem dois anos feitos e dois anos para fazer. Veremos se os partidos que formaram a aliança parlamentar têm verdadeiras intenções de cumprir a legislatura. O que sabemos é que o caminho que falta percorrer será muito mais difícil, porque quanto mais se aproxima o momento de medir forças maiores serão as tentações. Mas a maior incógnita é mesmo sobre a capacidade política de António Costa e dos seus ministros para gerir uma relação com os funcionários públicos, agora que é manifestamente necessário abrandar o ritmo na reposição de rendimentos.