Paulo Baldaia

Paulo Baldaia

Faça-se uma lei para demitir ministros

O Presidente da República, que tem fama de dormir muito pouco, deve andar a dormir quase nada, porque vê o Estado a perder autoridade, como previu, e não vê capacidade para dar a volta. A sondagem de ontem da Aximage, que o DN publicou, mostra Marcelo amarrado a Costa em queda acentuada de popularidade e os entrevistados a pedirem mais exigência ao inquilino do Palácio de Belém. Avisado que está pelos eleitores e por Marcelo analista, Marcelo Presidente prepara um futuro (ainda lhe faltam quatro anos e meio de mandato) em que o primeiro-ministro não se chame António Costa. Por muita sintonia que jurem em público, já não conseguem disfarçar. Estão cansados!

Paulo Baldaia

A razão dos ingleses, a irresponsabilidade de Marcelo e a hipocrisia dos liberais

Os ingleses, disseram-nos as autoridades do nosso país, quiseram tramar-nos, inventando um problema de contágios com as variantes indiana e nepalesa e uma duplicação de novos casos em três semanas, retirando-nos da lista verde e fazendo regressar a casa dezenas de milhar de turistas britânicos. De tudo se disse sobre as reais intenções do governo de sua majestade, como tudo se esquece, quando se confirma que os ingleses tinham razão. Há um problema sério com a variante indiana que, segundo os especialistas, já vale quase metade dos novos casos em Portugal. Três em cada quatro na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Opinião

Continuam a marcar-se os (pretos) com ferro quente

Identificar uma pessoa como (preta) é racismo. O erro na notícia da Lusa, em que a deputada Romualda Fernandes é assim identificada, é o insulto não ter sido visto antes de chegar a todas as redações. Reparem, José Pedro Santos não viu o insulto e o insulto ganhou a dimensão de um escândalo, quer do ponto de vista jornalístico, quer do ponto de vista político. Esse é o erro que levou um jornalista sério a assumir a sua responsabilidade e a demitir-se das funções de editor de política. Em muitas páginas online da comunicação social o insulto foi amplificado, porque ninguém viu. É um erro mais comum do que seria desejável, porque tudo é feito a correr.

Paulo Baldaia

A responsabilidade dos políticos não prescreve

Indignem-se com os legisladores, com os deputados que fazem as leis, não procurem responsabilizar os juízes que as aplicam, porque até a interpretação mais restritiva dos prazos de prescrição não resiste a um recurso, se na instância superior houver interpretação mais abrangente. Acham mesmo que foi o juiz Ivo Rosa que determinou os prazos de prescrição para os crimes de corrupção e deixou, propositadamente ou não, aberta a hipótese de contar esse tempo a partir de diferentes momentos de consumação do crime?

Opinião

O plano "depende" e "depois se vê"

O governo não faz a mínima ideia do que vai fazer com o plano. É tudo tão colorido que já se perderam no barulho das luzes. E isto só hoje começa. Lembram-se de quinta-feira nos terem apresentado um gráfico com duas linhas que se cruzam e determinam quando tudo tem de parar ou mesmo regredir, concelho a concelho? Esqueçam! Fontes do governo já andam a explicar aos jornalistas que é mais "vai-se vendo" e "depende". Estamos tão cansados da pandemia que um plano manifestamente mau, por ser falacioso, até nos pareceu bom.

Paulo Baldaia

O governo falhou e é preciso dizê-lo

Eduardo Cabrita, ministro com telhados de vidro, a acusar a oposição (de direita) de não ter dito nada quando se flexibilizaram as regras no Natal e a sentenciar que, por isso, não pode criticar agora, é uma nova forma de censura que levada a sério iria mudar a política para sempre. Ficaria a oposição obrigada a apresentar alternativas para tudo o que fizesse o governo, alternativas que teriam de ser acompanhadas de crítica fundamentada às propostas do executivo, para que essa crítica pudesse ser repetida no momento que o governo falhasse. Viveríamos em berraria constante.

Paulo Baldaia

As sondagens não são búzios para ler o futuro

Cria-se sempre uma certa excitação, entre o pessoal político e o comentariado, cada vez que uma sondagem mostra uma pequena alteração de resultados entre os dois partidos que disputam o poder. Se o PSD se aproxima ou se afasta do PS, isso é valorizado como se tratasse de um caminho que vai ser seguido até às próximas eleições. Só que os estudos de opinião refletem, apenas, o que pensam os inquiridos naquele dia sobre aquela matéria.

Paulo Baldaia

Ai, se fosse com o governo do Passos...

Não conheço frase politicamente mais irritante do que aquela que agora utilizo para título. Ela pressupõe que há um tratamento diferenciado e generalizado entre os jornalistas e os comentadores para governos de esquerda e governos de direita. Mais grave ainda, de acordo com os que passam a vida a repetir essa frase, essa diferenciação é persecutória e baseia-se no preconceito de que a direita tem culpa em tudo e a esquerda não tem culpa em nada. Basta ver com isenção a isenção que se reclama para perceber que as coisas não são bem assim, mas, convenhamos, às vezes parece que a coisa corre mais molenga quando são os socialistas que estão sob escrutínio.