panteão nacional

Paula Sá

Dramas artificiais para desanuviar dos reais

A polémica sobre jantar no Panteão Nacional é daquelas que nascem e morrem em poucos dias porque não tem nem gravidade nem substância. E o primeiro-ministro é o primeiro a saber disso quando classificou de "indigno" um jantar que reuniu figuras que nos dias anteriores tinham sido quase idolatradas pelos nossos governantes como os promotores do que melhor se faz em Portugal no domínio das startups. António Costa manifestou-se entusiasmado na Web Summit, que disse colocar Lisboa "no centro dos grandes debates e desafios mundiais". Um jantar de gente que faz tamanha coisa sempre é mais dignificante do que outros que ali foram realizados, sem brado.

Opinião

A cobardia política de Barreto Xavier

O jantar dos fundadores da Web Summit no Panteão Nacional teve pelo menos um mérito: relembrou-nos, para que não nos esqueçamos, que Portugal teve recentemente um governo cuja política cultural foi movida pela visão mais mercantilista e intervencionista de que há memória na democracia portuguesa. Lembremo-nos das exposições no Palácio da Ajuda com produção privada, a interferência pessoal dos governantes nas escolhas de representação de Estado em bienais internacionais, a tentativa de alienação de bens culturais para benefício da banca, o favorecimento a particulares - como aconteceu com Miguel Pais do Amaral, que obteve autorização para vender em Paris por cinco milhões de dólares um quadro de Crivelli que estava proibido de sair de Portugal (e que, por causa dessa limitação o tinha adquirido por um valor irrisório) -, entre outros exemplos de sobreposição do interesse privado ao interesse público.