panteão nacional

Opinião

País de extremos

Portugal é um país de emoções extremas. Tão depressa ama como odeia a Web Summit. Ama a inovação, as cabeças arejadas que a Web Summit consegue trazer a Portugal, o ambiente que contagia positivamente os nossos jovens fazedores. Odeia quando esse arejamento mexe com os rituais, os velhos hábitos, a tradição. É o que está a acontecer com a Web Summit, por causa do jantar do Founders, que se realizou no Panteão Nacional e que ganhou um protagonismo exacerbado face ao que ele significa verdadeiramente.

Opinião

A cobardia política de Barreto Xavier

O jantar dos fundadores da Web Summit no Panteão Nacional teve pelo menos um mérito: relembrou-nos, para que não nos esqueçamos, que Portugal teve recentemente um governo cuja política cultural foi movida pela visão mais mercantilista e intervencionista de que há memória na democracia portuguesa. Lembremo-nos das exposições no Palácio da Ajuda com produção privada, a interferência pessoal dos governantes nas escolhas de representação de Estado em bienais internacionais, a tentativa de alienação de bens culturais para benefício da banca, o favorecimento a particulares - como aconteceu com Miguel Pais do Amaral, que obteve autorização para vender em Paris por cinco milhões de dólares um quadro de Crivelli que estava proibido de sair de Portugal (e que, por causa dessa limitação o tinha adquirido por um valor irrisório) -, entre outros exemplos de sobreposição do interesse privado ao interesse público.