Orçamento do Estado

pedro marques

Orçamento do Estado: Aposta Tripla

A expectativa que sempre existe em vésperas de apresentação do Orçamento do Estado era este ano ainda maior. Como iria o governo responder à enorme incerteza do cenário macroeconómico, que não aconselha aventureirismos? O que faria para atenuar o efeito da inflação junto das famílias? Como evitaria que as empresas mais afetadas pelos custos da energia fechassem portas, aumentando o desemprego, contraindo a procura e, consequentemente, gerando recessão económica? Para responder a estas questões, o governo apostou numa tripla.

Rosália Amorim

O que o FMI e a oposição têm em comum?

O Fundo Monetário Internacional está menos otimista do que o governo. O FMI melhorou, ontem, ligeiramente as perspetivas de crescimento da economia portuguesa para o presente este ano, para 6,2%, em vez dos 5,8% estimados em junho e mais próximo da previsão de 6,5% do governo português, mas cortou as estimativas para o próximo ano, dos 1,9% previstos em junho para 0,7%, revelando-se mais preocupado com o impacto da conjuntura internacional em terras lusas do que o governo - que aponta um crescimento de 1,3%. Na atualização das previsões económicas mundiais, o FMI vai mais ao encontro da oposição, que considera "otimista" o quadro macroeconómico apresentado pelo Executivo no âmbito do Orçamento do Estado para 2023.

Joana Petiz

Não é o diabo, é o inverno do OE que aí vem

Vem aí o inverno. Coisa rara para se dizer em agosto, vaticínio de má sorte quando o país está a banhos, mas que representa uma verdade dura e crua. É sombrio o que está ao virar da esquina dos próximos meses. Não é o diabo, é o inverno. Mais escuro e mais frio do que nunca, conforme a perda de poder de compra contagia e se intensifica por toda a Europa - com gravidade acrescida nos países mais frágeis, como Portugal -, mas também por consequência dos cortes energéticos que Bruxelas impõe a todos, para depender menos do gás russo e apressar a transformação energética. Custe o que custar, é o lema. E vai custar, vamos sofrer, admitem os responsáveis europeus, antecipando a necessidade de desligar as máquinas e os aquecimentos, enquanto Moscovo se desenvencilha das novas sanções e vai conquistando destinos alternativos para continuar a amealhar rublos com o seu petróleo e o seu gás.