Opinião

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O dedo do ladrão

Aborrecido, sonolento, um homem esperava no banco dos réus a sua vez. A manhã estava a ficar comprida, com um caso de vizinhança amarga entre um segundo e um quinto andar de prédio, acusações de barulho fora de horas que acabam em insultos, ameaças, às vezes violência corporal. Eu escutava as testemunhas e lembrava-me de um caso antigo no tribunal em que um jovem acabara a morder a sua vizinha de cima por culpa do cão da vizinha sempre lhe ladrar e tentar morder. Tendo já visto uma coisa assim – um degrau acima da já gasta notícia do homem […]

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Maria Antónia de Almeida Santos

O planeta dos sustentáveis 

Ao ambiente e ao planeta já não basta a simples manifestação da amizade e da esperança. Devemos-lhes a prática do respeito. Esta é, basicamente, a mensagem da jovem e global ativista Greta Thunberg. É uma mensagem positiva e inesperada. Positiva, porque em matéria de respeito pelo ambiente, demonstra que já chegámos à consciencialização urgente de que a ação já está atrasada em relação à emergência de catástrofes como a de Moçambique. Inesperada (ao ponto do embaraço para todos), pela constatação de que foi a nossa juventude, de facto e pela onda da sua ação, a globalizar a oportunidade para operacionalizar a esperança.

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Viriato Soromenho Marques

Comandantes de naufrágio

Estamos a assistir a uma grande regressão das democracias liberais. As duas margens atlânticas do ocidente, que inventaram no último meio milénio o planeta global que habitamos, com a sua arquitetura política e o seu crescimento económico exponencial, estão neste momento num duplo processo tectónico de afastamento e fragmentação. Perante os gigantescos desafios da desordem crescente do mundo, na altura em que é preciso pagar a fatura ambiental e social, acumulada em séculos de dominação ocidental baseada na fusão fáustica entre capital, tecnologia e supremacia militar, eis que as democracias, um pouco por todo o lado, escolhem, para as governarem, líderes mitómanos e vendedores de tóxicas ilusões. O extraordinário caso do grito de lucidez de uma criança sueca, Greta Thunberg, parece ser a metonímia perfeita deste tempo em que os povos elegem chefes dotados de um pensamento infantil, enquanto são as crianças que exigem as palavras e os atos de maturidade, próprios dos adultos.