Opinião

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Pompeo em Israel e Netanyahu na Arábia Saudita

A visita secreta do Primeiro-Ministro israelita à Arábia Saudita para se encontrar com o Príncipe Herdeiro Mohamed Bin Salman, já foi desmentida e confirmada por entidades suficientes, para se manter a dúvida razoável sobre esta deslocação, mas não parece improvável, dada a importância dos Acordos de Abraão e dado tratar-se da reta final da Administração Trump, a qual tem neste Acordos, o Adquirido que poderá salvar a mesma de um fracasso em todas as frentes.

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Porque sentimos necessidade de antecipar o Natal?

Este ano queremos que o Natal chegue mais cedo e, por isso, antecipamos as decorações e as compras. Porquê? De que modo nos ajuda isto a sentir melhor? A celebração do Natal é um ritual. Independentemente das crenças de cada família, é um ritual anual que confere previsibilidade, estabilidade e maior sensação de controlo. Ao mesmo tempo, reforça os vínculos afectivos com as pessoas de quem gostamos, gerando sentimentos de bem-estar, alegria e compaixão. O Natal é ainda associado a partilha, amor e esperança, emoções agradáveis que contrastam com a angústia, a ansiedade e as perdas que tantos de nós temos vivido nos últimos meses. Neste contexto atípico e de incerteza em que vivemos, planear este ritual torna-se ainda mais importante. É como se a vida à nossa volta voltasse a ser «normal» durante algum tempo, permitindo-nos focar a atenção em aspectos positivos e, em paralelo, minimizar os negativos. É como colocar um filtro nos nossos pensamentos, deixando à tona apenas aqueles que nos ajudam a sentir bem. Enquanto estivermos focados na árvore de Natal, no presépio e na lista de compras para a ceia, não pensamos no vírus, no desemprego e em tantas outras ameaças. E até podemos ouvir as notícias que desanimam... um pouco menos, quando vemos as luzinhas a piscar. Para as crianças o Natal é também muito importante, e não apenas pelos presentes, como possamos imaginar, mas sobretudo por quem está presente. Pela oportunidade de estar em família. E a verdade é que cada vez mais ouço crianças e jovens afirmar isto mesmo, deitando por terra aquela imagem estereotipada das crianças que apenas valorizam os bens materiais. Importa, porém, ter em conta duas situações. Em primeiro lugar, compreender e aceitar que muitas pessoas possam não sentir qualquer vontade em celebrar. A tristeza, as saudades e os lutos requerem tempo para ser processados e tê-lo é um direito de todos nós. Saibamos, por isso, respeitar o tempo e o espaço que algumas pessoas possam precisar. Em segundo lugar, que esta necessidade de celebração não nos tolde a visão e impeça de sermos conscientes e responsáveis. Que saibamos conciliar a festa e o convívio com a segurança de todos. E se o Natal este ano for diferente, com algumas restrições? Pois será. Acredito que encontraremos dentro de nós estratégias para lidar com essa diferença e aprender com ela. Se o Natal é quando um homem quiser, também pode ser como um homem quiser.

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Porque é que as vacinas para a COVID-19 vão ser uma desilusão?

A esperança aberta com a previsível chegada de vacinas eficazes contra a COVID-19, durante o mês de janeiro, corre o risco de criar uma enorme frustração nas populações. Há múltiplas razões para isso e, com o poder político debaixo de enorme pressão, parece não haver ninguém capaz de lançar medidas preventivas que impeçam a chegada desse perigoso anticlimax emocional.

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A complacência estratégica europeia não é uma opção

A eleição de Joe Biden como o próximo presidente dos Estados Unidos suscitou esperanças na Europa de voltar a colocar a relação transatlântica no bom caminho. Mas não pode haver um simples regresso ao passado. Em face de tantos desafios domésticos e internacionais, os EUA só valorizarão a relação transatlântica na medida em que essa relação proporcione um valor real. Uma Europa mais forte, que assuma mais responsabilidades globais, pode assegurar que isso aconteça.

Anselmo Borges

A intuição cosmoteândrica: a religião do futuro

1. Foi há dez anos que Raimon Panikkar nos deixou, no dia 26 de Agosto de 2010, com 91 anos, em Tavertet, perto de Barcelona. Foi um dos espíritos mais clarividentes do século XX, com um pensamento original, que a presente situação pandémica e a urgência de um novo paradigma de desenvolvimento e uma nova política no contexto de uma terrível crise global, económica e social, que inclui a necessidade de um pacto ecológico para preservar a casa comum, tornam ainda mais actual. É por isso que não podia deixar de voltar a ele, "um mestre do nosso tempo".

Pedro Marques Lopes

E o PSD

Na semana passada, escrevi aqui que a questão designada por subsidiodependência não tinha o mesmo conteúdo para o PSD e para o Chega. Continuo a pensar que não tem, mas percebi pela entrevista da passada quarta-feira à TVI que para Rui Rio tem. Os comentários que fez sobre as pessoas que, malandras, não querem trabalhar para ganhar a loucura de 85 euros - sendo certo que uma grande parte delas tem menos de 18 anos - são dignos de um líder do Chega, mas não de um do PSD.