Opinião da direção

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Mudar de vida, de nome, de sexo

Júlia, Daniela, Letícia, Francisca, Andreia, André e Lourenço têm uma coisa em comum: não se identificavam com o género com o qual nasceram e agiram para mudar de forma a ficarem mais próximos daquilo que era a imagem que gostariam de projetar. São apenas meia dúzia entre os mais de 500 portugueses que nos últimos seis anos mudaram de nome e/ou de sexo. Mas ainda que a lei aqui lhes permita ir muito mais além do que se tivessem nascido em quase qualquer outro lugar do mundo, dizem que ainda falta dar passos importantes.

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Diplomacia não rima com pressa

Tomar "boa nota" é muito provavelmente tudo o que Portugal pode e deve fazer a esta altura, na ressaca diplomática do caso Skripal. A diplomacia portuguesa não tem por hábito reações precipitadas e se há algo que pode explicar a dissonância entre a dimensão geográfica do país e a sua projeção de força e influência na cena diplomática mundial - a eleição de António Guterres é o grande exemplo - é precisamente a capacidade de manter canais de diálogo abertos com todos.

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A cultura geral começa além do inglês, oh là là

Vou a Paris dentro de dias com a família. Tenho a sorte de ter aprendido francês na escola, de ser casado com alguém que foi educada na Suíça francesa e de ter um filho adolescente que frequenta há anos a Alliance Française. Só a minha filha mais pequena precisará assim de ajuda para se fazer entender em França. Vem isto a propósito de uma entrevista hoje no DN com Marie-Laure Poletti, coautora do livro E o Mundo Falará Francês. Diz a académica que "o francês é uma alternativa à globalização à americana" e sublinha que em África, por exemplo, o inglês poderá não ser a melhor arma de comunicação, como parece já terem percebido as empresas chinesas que investem no continente. Melhor usarem o francês.

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Aceitar as diferenças

Numa das reuniões do European Muslim Network, que reúnem em Bruxelas speakers de todos os países, discutia-se há tempos a islamofobia, com descrições vívidas sobre os maus-tratos sentidos na Turquia, na Alemanha, em Espanha, em França, na Bélgica. Até que um relato destoou dos demais: "Vivo em Portugal há mais de 50 anos e ali tratam-me como amigo. Não sou o outro, sou o deles, embora saibam que tenho uma religião diferente. Nunca senti isso a que chamam islamofobia." Eram as palavras de Abdool Vakil que espantavam de tal forma a audiência que chegaram a perguntar-lhe se Portugal era o paraíso.

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Brilhante Moon

Graças a Moon Jae-in, os Jogos Olímpicos de Inverno em Pyeongchang foram um sucesso, reafirmando o prestígio internacional da Coreia do Sul como país desenvolvido dinâmico, próspero e democrático. O presidente sul--coreano conseguiu não só que a Coreia do Norte suspendesse as atividades militares e a retórica agressiva como foi ainda capaz de organizar uma equipa unificada coreana, sob uma única bandeira. E, aproveitando a visita de altas figuras do regime norte-coreano, criou as condições para um encontro em abril com Kim Jong-un, que será apenas a terceira cimeira intercoreana desde a divisão da península no final da Segunda Guerra Mundial.

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Recorda-se do Koweit?

Contaram-me que parte do buffet do Dia Nacional do Koweit foi distribuído pelos sem-abrigo, há umas semanas. E pelo terceiro ano consecutivo, desde que o atual embaixador chegou a Lisboa em 2016 e - vivendo no Hotel Tivoli à espera de que se completassem as obras na residência oficial - ficou impressionado com o trabalho da Comunidade Vida e Paz na Avenida da Liberdade. Ora, este, já sabia eu e graças ao próprio DN, é um diplomata fora do comum. Em 2016, numa reportagem de Pedro Sousa Tavares sobre a logística das embaixadas o título foi "Da honra de ter em Lisboa o príncipe do Koweit ao chef português da França". Estava desfeito o segredo. O xeque Fahad Salim al-Sabah, que entretanto entrevistei, pertence à família real koweitiana. É primo do emir Sabah al-Ahmad al-Jaber al-Sabah.