Oliver Antic

Opinião

Na senda da medida perdida

As duas maiores filosofias do mundo antigo, a grega e a chinesa, no seu expoente, chegaram, quase em simultâneo, essencialmente à mesma conclusão: a primeira, através da formulação da "melhor medida" e a segunda através do provérbio da "virtude da média de ouro". O meio-termo ou média de ouro não é a mediocridade, mas o ponto equidistante de dois extremos, ou seja, a moderação. Aristóteles ilustra tal atitude com uma medida entre dois abismos - a intemperança e a insensibilidade, entre a gula e a anorexia. Não se trata de abrir mão dos prazeres, mas de ser seu senhor, não escravo. A maior satisfação é dada pela qualidade, não pela quantidade. Hoje, na parte rica do mundo, as pessoas morrem geralmente em razão da intemperança, não da fome ou da escassez. É uma época miserável, em que os médicos são colocados acima dos poetas, escreveu Comte-Sponville. A moderação; encontrar a medida certa, o meio-termo de ouro é uma virtude intelectual, portanto, a virtude da humanidade. Ponderemos, então, se a moderação será hoje facilmente perceptível e inteligível? A resposta surge clara, mas a questão permanece: por que tal não acontece?

Oliver Antic

Jihadistas e Relações Internacionais

O Islamismo tem por base cinco pilares: Fé (Shahada); Oração (Salah); Peregrinação (Hajj); Caridade (Zakah); Jejum (Savm). Este texto não diz respeito àqueles que aceitam os cinco pilares da sua fé, mas apenas aos Estados islâmicos, organizações, grupos e indivíduos que adoptam seis pilares da fé islâmica. Ou seja, há um determinado número (que não é assim tão pequeno) de muçulmanos que adopta a "guerra santa" (Jihad) como o sexto pilar, mantendo os cinco pilares da fé islâmica acima mencionados essencialmente iguais. Para estes, a Jihad não é apenas um apelo ocasional do califa a todos os muçulmanos para se envolverem na "guerra santa", mas muito mais que isso.