obras

Joana Petiz

Que pena é o recolher compulsório nesta nova Lisboa das maravilhas 

Está um mimo, a nova praça de Campolide, nascida ali mesmo ao pé da junta para melhor luzir aos olhos dos munícipes. Ainda não está pronta, claro. Mas já o adivinha quem lhe dá a volta - roteiro agora obrigatório para quem segue para as Amoreiras; há que valorizar a obra, bolas!, e isso não aconteceria se os condutores pudessem continuar a passar-lhe ao lado, sem fazer aquele quadrado completo à volta da famosa Valenciana. Mesmo com frio, até já me deu vontade de enfiar o carro no parque (talvez o experimente quando reabrir) e ir testar aquelas poltronas de pedra, costas reclinadas em posição de descanso obrigatório e a uma distância controlada da mesa inamovível ao centro. Talvez seja um pouco difícil para os velhinhos de Campolide chegar-lhe durante os jogos de cartas ou damas ou xadrez, mas ao menos podem sentar-se ali e deitar-se a adivinhar quanto tempo levará a passar para o outro lado aquele carro encarnado que ainda agora parou na fila. Não durante os dias de verão, que já se vê que quando o sol ali chegar com força aquele material há de aquecer o suficiente para nele se poder fritar ovos, mas se esperarem que seque o orvalho na pedra, haverá manhãs de primavera em que até pode ser agradável.