obituário

Sebastião Bugalho

Almeida Henriques (1961-2021). O homem da convergência ou, em rigor, das convergências

Nascido em Viseu e feito jurista em Coimbra, Joaquim António Almeida Henriques era, se quisermos resumir a um adjetivo, um universalista. Em bom português: dava-se com toda a gente. Militante da JSD desde jovem, mas colega de apartamento de um socialista quando vem para Lisboa ser adjunto num governo de Cavaco Silva. Querido pelos setores mais conservadores da Igreja, mas próximo das associações liberais mais seculares. Cosmopolita, mas íntimo do povo e da cultura popular mais recôndita. Político de percurso e empresário de carreira. Autarca cinquentenário, dono de visão moderna e das ditas smart cities. Teria sido ministro da Economia se o seu partido não estivesse afastado do poder há mais de meia década. Não tendo aí chegado - ou o PSD aí voltado -, fez da sua terra o seu país. Nas palavras de quem o conheceu melhor, com ele "Viseu tornou-se um mini-Portugal".