obituário

David McCullough (1933-2022).: O revolucionário acidental

Sebastião Bugalho

David McCullough (1933-2022).: O revolucionário acidental

No bicentenário da sessão inaugural do Congresso norte-americano, um historiador foi convidado a dirigir-se à câmara. A 6 de abril de 1989, sete meses antes do Muro cair, David McCullough falou aos congressistas dos Estados Unidos da América. Ele, que quase toda a vida foi independente ("O meu trabalho são os políticos que estão mortos"), foi um dos poucos cidadãos não-eleitos a aceitar essa honra. Fê-lo com equilíbrio, graça, petites-histoires e um indisfarçável americanismo, à semelhança dos seus cinco livros até então. A história das cheias de Johnstown, Pensilvânia, o seu Estado natal, em 1968. A história da Ponte de Brooklyn, em 1972. A história do Canal do Panamá, em 1977, que mereceu o National Book Award e a gratidão de Jimmy Carter. Uma biografia de Teddy Roosevelt (Manhãs a Cavalo), que repetiu o prémio. "Há dias, ouvi um comentador na televisão queixar-se do eco produzido por esta sala. Mas que eco, meus senhores, que eco. Que ressonância", saudou.

Sebastião Bugalho

António Topa (1954-2021). Invulgarmente frontal

Num partido em clima de guerra sem precedente, o falecimento de António Topa, nascido em Santa Maria da Feira há 67 anos, conseguiu reunir alguma solenidade. A dimensão consensual da sua memória entre sociais-democratas sentiu-se no momento da sua partida mas, também e talvez especialmente, no seu percurso público. Topa foi o único dirigente do PSD que transitou da Comissão Política Nacional de Pedro Passos Coelho para a de Rui Rio, em 2018, sendo públicas as profundas divergências entre a linha de Passos e as gentes do ex-presidente da Câmara do Porto. Para Topa, o que estava em causa era algo a que entregou a sua vida, raramente esperando ou querendo algo de volta: o PSD.