Óbidos

Opinião

O papel do escritor convidado

Há já uma década que venho a Lisboa todos os anos. Ao princípio, tinha o fantasma de mudar de país, de deixar o Quebeque, onde nasci, e de recomeçar uma vida nova aqui, no imenso Portugal. Decidi aprender a língua. Segui aulas, mas a literatura foi essencial na minha aprendizagem. Queria falar a língua de António Lobo Antunes e Gonçalo M. Tavares. Queria usar a língua portuguesa como uma máscara, passar despercebido. Para entender melhor o que se passava neste país. Nunca consegui. A minha máscara ficou quebequense. Se calhar, isso tudo era muito egoísta.