Novas Edições

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De Olham para o mundo na língua menos comum de Ana Cristina Leonardo

O Centro do Mundo é o título do primeiro romance de Ana Cristina Leonardo, que sucede a duas outras experiências literárias em livro, e que é editado na coleção Língua Comum da editora Quetzal. Ora de língua comum pouco tem este livro, o mesmo acontecendo a poucas outras exceções desta coleção onde figura uma reedição de O Que Diz Molero, de Dinis Machado, daí que se possa considerar este primeiro romance um dos mais incomuns da listagem na sua badana direita.

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Do princípio ao fim da "Fleet Street portuguesa" nas ruas do Bairro Alto

A surpresa está logo no início do livro, quando este O Bairro dos Jornais refere que o Bairro Alto "foi berço e morada de centenas de jornais". Tantos? Sim, é verdade, e contar as suas histórias foi o objetivo desta investigação de Paulo Martins, que o prefácio de Appio Sottomayor descreve em poucas páginas e de um modo que abre o apetite para a leitura imediata de 400 páginas em que é retratada a "Fleet Street portuguesa". O prefaciador elogia o volume e define-o como "uma espécie de Bíblia da Imprensa na sua pátria do Bairro Alto", ou seja, volta a abrir o apetite para a sua leitura.

Opinião

Até que ponto a história cabe num século de cinema por João Lopes

A página de apresentação do livro Cinema e história - aventuras narrativas do crítico de cinema João Lopes explica imediatamente ao que se vai nas restantes páginas, repletas de episódios exemplares sobre esta arte. Nada que os leitores do Diário de Notícias não pressintam ao pegar em mais um volume da coleção de ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos, pois a sua presença nas páginas deste jornal enquanto crítico de cinema certifica que conhece bem a matéria-prima que trabalha. Mesmo que nessa página inicial o autor avise que o "cinema não deve ser encarado como máquina de "reprodução" ou "ilustração" de um saber já garantido pelos livros de história". Muito pelo contrário, afirma, "o cinema foi uma via de reconversão e recriação dos próprios modos de fazer história".

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A descoberta do homem na obra de João Tordo sem se deixar manipular

A melancolia talvez seja o sentimento que em muito atravessa o novo romance de João Tordo, um dos escritores da última geração mais teimoso na produção literária. Que não se revela em cada novo livro com uma lombada média, antes espessa, de modo a conter quinhentas páginas. Saído de uma Trilogia dos Lugares sem Nome, onde a intemporalidade e uma ausência de marcos geográficos aliviavam a preocupação de perceber os contornos terrestres da obra, Tordo entra agora num mundo de duas histórias paralelas que se localizam em Portugal e no Japão. Este um destino que a dada altura sempre fascina os criadores e que se dissimulou tão bem nos escritos de Camilo Pessanha, o nosso oriental mais fatalista.

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O crime do Homem-Tigre para explicar o que é a literatura indonésia

O tom da nota introdutória de Homem-Tigre está um pouco desfasada daquele que se segue nas páginas do romance de Eka Kurniawan, não só porque revela o autor indonésio - que nasceu no dia em que este país ocupou Timor - de uma forma demasiado elogiosa, como tenta perspetivar o livro de um modo antinatural. É o problema do tom, uma questão que na prosa muito interessante de Kurniawan nunca existe. Ainda por cima, desde que não interfiram diretamente, posfácios (no caso prefácio) destes fazem muita falta em livros primeiros de autores de outras civilizações quando são traduzidos para a nossa língua.

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O melhor argumento para o policial e que Agatha Christie nunca utilizou

O livro tem um aviso no início que informa: "Talento para Matar não é uma obra autorizada por Agatha Christie Lda", o que pode ser visto como um bom sinal, pois não faz parte daquelas sequelas que escritores menos talentosos do que a Dama do Crime se têm encarregado de escrever, prolongando desse modo a vida literária da autora com balões de oxigénio frustrantes. Não, Talento para Matar é uma narrativa ao estilo do género policial mas com os condimentos próprios de quem sabe agarrar o leitor pelo colarinho e emocioná-lo na leitura, e o seu ator, Andrew Wilson, já publicou trabalhos suficientes para se conhecer a sua capacidade e arte - como é o caso de uma biografia da poeta Sylvia Plath e da escritora de policiais Patricia Highsmith.

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A grande história do poder da finança-sombra na economia mundial

O prefácio de Eduardo Lourenço para o ensaio Sombras, de Francisco Louçã e Michael Ash, é deveras interessante. Primeiro, porque não se esperava que o pensador navegasse nestes mares; segundo, porque é de uma lucidez e síntese mais própria de um sociólogo do que de um filósofo. Também não é de espantar, pois estamos perante outro olhar de um dos autores, o ex-político português, que neste volume de 600 páginas encontra um tom na narrativa um pouco diferente do que lhe é habitual.

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Uma biografia do tamanho da vida de Afonso de Albuquerque

Osubtítulo de O Terrível, do historiador José Manuel Garcia, é A Grande Biografia de Afonso Albuquerque. Parte-se do princípio que o significado da frase pretende ser "grande" em dimensão e não um autoelogio da obra. Em seguida, há outra frase, "O governador que dominou o Índico", e nesta nada se pode questionar pois é a grande verdade, provada pelos acontecimentos históricos e que, se tivesse sido cumprida segundo os intentos deste homem forte de Portugal como bem desejava, teria até sitiado Meca e dominado este polo de influência do islão. Não o tendo conseguido, no entanto foi capaz de realizar uma ação de domínio eurocêntrico - ou atlantista - por aquelas partes do mundo em que as restantes nações colonizadoras nem sempre foram bem--sucedidas.