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1864

Saramago e Pessoa vão ao cinema

Difíceis de se converter em imagens, os mundos conceptuais de José Saramago (1922-2010) e de Fernando Pessoa (1888-1935) não deixam de despertar algum fascínio ao cinema. Tanto ontem como hoje. O caso de Saramago é particularmente curioso, se atentarmos no facto de serem mais os cineastas estrangeiros a assumir o risco de adaptar obras suas do que os portugueses. Enfim, a inversão dessa tendência faz-se notar agora com a estreia de O Ano da Morte de Ricardo Reis, realizado por João Botelho, e uma anunciada adaptação de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, por Miguel Gonçalves Mendes, o realizador que filmou o documentário José e Pilar (2010) com a grande cumplicidade do Prémio Nobel e da sua mulher, Pilar del Río. Por sua vez, Pessoa, na instabilidade dos seus heterónimos, parece vaguear de filme em filme como um espectro literário que levanta a bruma sobre o imaginário lisboeta - veja-se Mensagem (1988), de Luís Vidal Lopes, uma película que assenta nesse texto profético do poeta e se converte numa leitura ela própria cabalística, ou a versão divertida da persona que se encontra na curta-metragem Como Fernando Pessoa Salvou Portugal (2018), de Eugène Green. Um poema aqui, outro ali, "Fitas de cinema correndo sempre/ E nunca tendo um sentido preciso", escreveu o heterónimo Álvaro de Campos, e lá isso é verdade: os sentidos são múltiplos. Aqui correm oito fitas, quatro baseadas em Saramago, e outras quatro de inspiração pessoana.

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João Melo

Entre o silêncio e o gueto

Em texto anterior, lembrei que a presença africana em Portugal, incluindo quer os berberes e os árabes do norte de África quer os indivíduos originários da região subsariana do referido continente, remonta ao século VII. Talvez devido ao atual aspeto cromático dos árabes e berberes do norte, em particular as suas elites, que passaram por um processo de embranquecimento histórico, a sua condição de indivíduos africanos tende a ser omitida, o que serve ao mesmo tempo para silenciar a contribuição africana em geral para a formação portuguesa e para alimentar o preconceito racial contra os africanos negros, na sua maioria oriundos do sul do Sara.

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Entrevista a José Adelino Maltez

"Foi um erro diminuir o presidencialismo na Constituição e o papel dos militares"

Para corresponder à confiança popular, o Presidente devia ter mais poderes, considera o politólogo José Adelino Maltez., para quem o regime é demasiado parlamentarizado. Porque às vezes, diz, não basta a pedagogia, é preciso chamar os governos à pedra e dar umas reguadas. Esta entrevista também está disponível na edição impressa do DN à venda neste sábado.

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Entrevista a María Berasarte

"Comecei a cantar fado e pediram-me que continuasse"

María Berasarte não se sente fadista mas é considerada uma das melhores artistas estrangeiras a cantar fado. Natural de San Sebastián, o seu primeiro disco a solo foi de fados, Todas las Horas Son Viejas (Todas as Horas São Velhas). Foi através deste trabalho que a cantora basca aproximou mais os espanhóis do fado. Nesta semana vai ter lugar em Madrid a 10.ª edição de Festival do Fado que vai homenagear Amália Rodrigues, "uma força sobrenatural".