Mundial 2006

Dossier - Mundial 2006

ZIDANE E SCOLARI PARTE 2

Um golpe de sol pode ser o motivo absurdo para um assassinato gratuito, como acontece em O Estrangeiro de Albert Camus. Um drama semelhante parece estar na origem da cabeçada de Zidane a Materazzi no Mundial de futebol . No romance de Camus, o gesto do protagonista determina a sua condenação à morte. O gesto de Zidane não só provocou a expulsão humilhante do capitão francês na cena derradeira de uma carreira mítica como terá condenado à morte por penalties a sua selecção. A perturbante coincidência de Camus e Zidane serem ambos argelinos e pied-noirs franceses explicará, porventura, o mesmo fascínio pelo absurdo, pelo sol negro que interfere, como na tragédia grega, no desenlace dos destinos?

Dossier - Mundial 2006

Ronaldo e Podolski lutam por mais do que o bronze

A corrida pelo galardão, cujo vencedor será anunciado hoje em Berlim (11.15, menos uma hora em Lisboa), contempla ainda os nomes de Lionel Messi (Argentina/Barcelona), Luis Valencia (Equador/Huelva) - juntamente com Ronaldo, escolhidos pela votação de adeptos na Internet -, Tranquillo Barnetta (Suíça/Leverkusen) e Cesc Fabregas (Espanha/Arsenal), que com Lukas Podolski saíram das conclusões da comissão de estudos técnicos da FIFA - só podiam ser eleitos atletas nascidos antes de 1 de Janeiro de 1985.

Dossier - Mundial 2006

Canarinhos abatidos pela idade reformam-se sem glória da selecção

O Brasil despediu-se sábado do Mundial da Alemanha, após a derrota com a França nos quartos-de-final (1-0). Derrota que foi também a despedida, em campeonatos do mundo, para muitos dos jogadores "trintões" que compõem esta geração campeã em 2002. Esta é a convicção da imprensa brasileira, que ontem exorcizou o adeus à Alemanha com uma análise fria, menos apaixonada, de uma selecção que a todos prometia a conquista do sexto troféu no Mundial de futebol .

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TÃO MAU, TÃO BOM

O futebol é o único desporto do mundo que não precisa de ser bem jogado para ser bom. Provo a tese em 16 caracteres: Portugal-Holanda. De futebol propriamente dito houve um golo, uma bola na trave, seis ou sete oportunidades. Nada de particularmente memorável. Na maior parte do tempo o jogo esteve interrompido, com jogadores ao pontapé, à cabeçada, a rebolarem pelo chão, a empurrarem-se, a insultarem-se em várias línguas e a serem expulsos. Uma tristeza, é certo. Mas a mais fascinante tristeza vista até ao momento no Mundial 2006.