Miguel Szymanski

Opinião

Alemanha e as vacas gordas

De longe, até parecem boas as notícias vindas da Alemanha. O tratado de coligação entre os dois principais partidos alemães promete, logo no seu capítulo inicial, mais Europa e mais dinheiro para a Europa. E com uma reedição da grande coligação entre a CDU de Merkel, do centro-direita, e o SPD, do centro-esquerda, a pasta das Finanças no governo alemão sai, enfim, após sete anos, da sombra do famigerado ministro Wolfgang Schäuble. Este, com o aval da chanceler Merkel, colocou nos últimos anos de crise no Sul da Europa os interesses da banca e da indústria alemãs acima dos de qualquer outro país da União Europeia.

Opinião

A passarola de Merkel e a geringonça de Costa

O que se está neste momento a passar na Alemanha vai marcar o futuro também em Portugal. O próximo governo em Berlim vai dar um empurrão à União Europeia ou empurrá-la para o precipício? Dois meses depois das eleições, Angela Merkel continua a tentar, a todo o custo, arranjar uma solução para se manter como chanceler e evitar novas eleições, depois do fracasso da coligação Jamaica (entre os Verdes, os Liberais do FDP e a CDU de Merkel). O problema é que se não houver um governo claramente pró-europeu em Berlim isso causará irremediáveis problemas a toda a UE.

Miguel Szymanski

Pascal, um alemão em Lisboa

A ficha clínica deste paciente seria desinteressante, não fosse reveladora do estado das coisas em Portugal. Trata-se, em autodiagnóstico, de um caso de dupla personalidade cultural. Ora reajo como um alemão, rigoroso, legalista e cumpridor da ordem, com uma forte consciência dos meus direitos e, sobretudo, uma exacerbada noção das obrigações dos outros. Ora sobrepõem-se os genes e os hábitos culturais portugueses, o que resulta numa personalidade descontraída, que evita conflitos e reage aos abusos e atropelos que sofre com um "deixa lá" ou "que se lixe".

Opinião

Depois da geringonça, a bagunça

Encontram-se quatro ministros da Defesa num bar, um israelita, um alemão, um francês e um português. "Os meus soldados andavam insatisfeitos, demiti-me", diz Mosche Jaalon. "Eu demiti-me porque descobriram que copiei umas páginas da minha tese de doutoramento", diz Karl-Theodor Guttenberg. "E eu, porque o meu partido utilizou mal verbas europeias", acrescenta Sylvie Goulard. O ministro português desta anedota, a quem acabaram de roubar material de guerra que dá para mandar a Baixa de Lisboa pelos ares, olha à volta para os seus homólogos com um sorriso chico-esperto: "Pois eu disse que assumia a responsabilidade política mas não me demito."

Opinião

Palavras para quê? Para tudo

As empresas não prestam mas as pessoas são ótimas. Nos últimos 20 anos trabalhei em Portugal para mais de uma dezena de publicações, a maior parte das quais já não existem. O mercado português é volátil como um bazar chinês. Empresas surgem e desaparecem a uma velocidade estonteante: na esquina onde antes existira a mercearia da D. Antónia ou do senhor Joaquim abriu o banco do engenheiro Jardim Gonçalves ou do comendador Horácio Roque, para depois se tornar uma loja de produtos gourmet do Martim ou da Mariana, num fast-food com hambúrgueres saudáveis ou numa geladaria artesanal de baixas calorias.