miguel ângelo

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Uma Espanha pouco exemplar

Há dias, numa reunião com os correspondentes estrangeiros em Lisboa, o primeiro-ministro, António Costa, expressou o seu desejo de que haja rapidamente um novo governo estável em Espanha, seja de que cor for. É uma declaração que é preciso agradecer e interpretar no tom protocolar em que se produziu, mas que temos de ver com uma certa ironia, porque o executivo português, que é essencialmente precário desde que nasceu, livrou-se da multa de Bruxelas por incumprimento do défice público indo à boleia de Espanha, que era o peixe mais gordo que não convinha sancionar, e porque ainda há uma diferença notável entre Portugal e Espanha, muito desagradável para Costa. A economia portuguesa continua praticamente estagnada, enquanto a espanhola cresce a um ritmo de 3% gerando abundante emprego apesar de ter um governo em funções. Portugal evitou por agora a troika graças a Espanha e deverá esforçar-se ao máximo para reduzir os gastos para não voltar a sofrer uma intervenção, dada a frágil saúde do seu orçamento público e a comatosa situação do seu sistema financeiro. Dito isto, concordo com Costa que seria muito desejável que Espanha tivesse um novo governo o mais rapidamente possível. Mas não é possível. O meu país é muito pouco exemplar. Temos uma esquerda que odeia geneticamente a direita e que está a fazer o possível para a expulsar do poder. Nisto não é muito diferente da portuguesa. Com uma exceção. Em Portugal, a esquerda somou os deputados necessários para formar governo. Em Espanha, as contas não o permitem, mas dão-lhe os números suficientes para impedir de momento que Rajoy continue na Moncloa.